Diógenes de Sínope


A Cinismo foi fundado em Atenas por Antístenes (447/446-366 a.C), por volta dos séculos III e II a.C . Discípulo de Górgias, Antístenes (485/480-383 a.C) exibia um estilo retórico em seus diálogos, próprio dos sofistas. Conheceu Sócrates (470/469-399 a.C) quando este já era velho, caminhava diariamente cerca de quarenta estádios para ouvir-lo e costumava sugerir aos seus discípulos que se tornassem condiscípulos de Sócrates.


Porém, Diógenes de Sinope ( 423/419-323), “o cínico“ ou “o cão“ (foto no topo da matéria), foi quem tornou-se o símbolo do movimento por levar a doutrina de seu mestre até as ultimas conseqüências com sua radicalização. Foi sua vida e influencia que deram aos cínicos a sua importância na história deste movimento.


Existem afirmações que o nome “cínico“, deriva de um ginásio chamado de Cinosargo, próximo de Atenas onde Antístenes ensinava seus discípulos; outros diziam que o nome provenha da palavra grega “kyon“ (cão). Embora o apelido nos aparente um sentido pejorativo, os próprios cínicos se denominavam cães .

Perguntaram-lhe o que havia feito para ser chamado de cão, e a resposta foi:


“Balanço a cauda alegremente para quem me dá qualquer coisa, ladro para os que recusam e mordo os patifes”. (Diógenes Laertios, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres, VI, 60)


Diógenes afirmava que a maneira mais correta do homem viver consiste em ter as necessidades mais simples possíveis - para o homem, basta-lhe a vida -, e satisfazendo-a do modo mais direito, - na vida precisamos de razão, ou uma corda para nos enforcarmos. O viver bem, “o viver de modo natural”, para ele era muito importante, pois tudo o que é natural , é respeitável, e decente , e de direito extremo, portanto pode ser feito em público, a qualquer hora do dia ou da noite sem nenhuma vergonha. Toda e qualquer convenção que contraria a esta abertura de espírito deve ser ignorada, uma vez que se caracteriza em um viver não natural.

“Servia-se indiferentemente de qualquer lugar para satisfazer qualquer necessidade, para o desjejum ou para dormir, ou conversar, sendo assim, costumava dizer, apontando para o pórtico de Zeus e para a Sala de Procissões, que os próprios atenienses lhe haviam proporcionado lugares onde podia viver”. (Diógenes Laertios, VI, 60)

"Costumava masturbar-se em público e ponderava: “Seria ótimo se pudéssemos aplacar a fome esfregando o estômago”. (Diógenes Laertios, VI, 69)

Assim vemos que Diógenes cortejava o maior de todos os prazeres, “a liberdade”, e distinguia os prazeres em dois grupos:


1. os que são comuns a todos os homens - os naturais;


2. os que alguns homens buscavam através das convenções sociais e políticas - os não naturais.


“Sempre que via na vida, pilotos, médicos e filósofos, costumava definir o homem como o mais inteligente dos animais, entretanto, quando via interpretes de sonhos, adivinhos e pessoas que prestavam atenção a indivíduos cheios de arrogância ou riqueza, pensa que não havia animal mais estulto” (Diógenes Laertios, VI, 24)

Existe uma ética no comportamento de Diógenes, o Cínico, que não é uma ética da auto-suficiência, mas sim de um autocontrole, fruto do desdém saudável pelos prazeres e sofrimentos próprios, e sobretudo da impaciência para com as convenções e hierarquias de uma sociedade presumivelmente corrupta.

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Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.