Peripatéticos no Helenismo

A história do aristotelismo é bem mais fragmentária do que a do platonismo, visto que o Liceu não teve a mesma continuidade que a Academia. Aristóteles foi sucedido por seu discípulo Teofrasto, que esteve à frente do Liceu de 322 a 288 a.C.. Sua contribuição foi importante sobretudo para a obra científica de Aristóteles. Essa tradição foi levada adiante por Estrato de Lâmpsaco (escolarca de 288 a 268 a.C.) e se consolidou principalmente em Alexandria.


Após essa fase inicial, a escola aristotélica entra em decadência, a obra de Aristóteles se dispersa e é perdida, sendo em parte recuperada apenas no século I a.C., quando é feita em Roma a edição do corpus aristotelicum por Andrônico de Rodes, responsável pela revitalização da escola peripatética. Os principais filósofos dessa nova fase do Liceu são Aristocles de Messena (séc. II), que interpreta o aristotelismo em um sentido eclético, aproximando-o do platonismo e até mesmo do estoicismo, e Alexandre de Afrodísias (séc. II-III), autor de importantes comentários às obras de Aristóteles, sobretudo à Metafísica e aos tratados de lógica, muito influentes na Antiguidade. O Liceu, no entanto, perde progressivamente sua identidade, e devido ao predomínio do ecletismo, acaba por se confundir em muitos aspectos com o platonismo no período neoplatônico, não havendo a partir daí filósofos aristotélicos importantes. É o caso de Porfírio, filósofo neoplatônico do séc. III, discípulo de Plotino, mas também um exímio comentador de Aristóteles, destacando-se o seu Isagoge (introdução ao tratado das Categorias), de grande importancia no período medieval em função da famosa questão dos universais.

A concepção aristotélica de ciência natural retomada por seus discípulos, principalmente Estrato, teve enorme influência no desenvolvimento da tradição científica de Alexandria, chegando a influenciar mais tarde a ciência árabe. Talvez aí resida a grande relevância do pensamento de Aristóteles na Antiguidade.



MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos Pré-Socráticos a Wittgenstein. 6 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001. p. 88-89


Artigos Relacionados:

Aristóteles e o Justo Meio

O Sócrates de Xenofonte e Aristófanes

Aristóteles, o Movimento e a Natureza

Aristóteles

Estratão de Lampsaco


Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.