Leucipo e a Criação do Mundo

(31) Como já dissemos, Leucipo afirma que o todo é infinito e é em parte cheio e em parte vazio, e a este ele dá o nome de elementos. Deles se formam mundos infinitos, e neles os mundos se resolvem. Os mundos formam-se do seguinte modo: destacando-se do infinito, muitos corpos de toda espécie de figura vão para o grande vazio e, reunindo-se entre si, formam um único vórtice, no qual atritam-se uns aos outros, e movendo-se em círculos em todas as direções possíveis separando-se de modo a que os semelhantes se unam entre si. Estando em equilíbrio por causa de seu grande número e não podendo mover-se em círculo, os corpos leves dirigem-se para o vácuo externo, como se estivessem sendo peneirados; os remanescestes ficam juntos e, agregando-se entre si, continuam juntos em seu circuito, formando um primeiro sistema esférico.


(32) Este, que abrange corpos de todas as espécies, subsiste como uma membrana; e como esses corpos movem-se girando num vórtice por causa da resistência do centro, a membrana externa torna-se tênue, enquanto os corpos confluem sempre compactos em decorrência do contato com o vórtice. Assim se formou a terra, porquanto as partes levadas para o centro permanecem juntas. A mesma membrana que envolve os corpos reforça-se e aumenta pela penetração de outros corpos vindos de fora; e como se move no vórtice, junta a si mesma todos os corpos com os quais entre em contato. Destes, alguns agregam-se entre si e formam um sistema que, inicialmente é muito úmido e lodoso; quando esses corpos se tornam enxutos e giram juntamente com o vórtice do mundo, incendeiam-se e formam a substância dos astros.

(33) A órbita do sol é a mais distante, e a da lua é a mais próxima da terra; as órbitas dos outros corpos celestes estão entre essas duas. Todos os corpos tornam-se incandescestes por causa da velocidade de seu movimento; a incandescência do sol é alimentada também pelos outros astros. A lua, por seu turno, recebe uma pequena parte de fogo.

O sol e alua se eclipsam... 1 A obliquidade do zodíaco deve-se à inclinação da terra para o sul. As regiões do extremo norte estão sempre cobertas de neve e são muito frias e congeladas. O sol eclipa-se raramente, e a lua constantemente, porque sua órbita são desiguais. Da mesma forma que o mundo nasce, assim cresce, decai e perece em decorrência de alguma necessidade, cuja natureza Leucipo não esclarece. .


DL Livro IX, 6


1. Os manuscritos possuem uma lacuna deste trecho, preenchida parcialmente por Diels.


Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.