por Breno Lucano
Após uma longa discurssão sobre os limites da razão, sobre o caráter restrito de seus poderes, sobre a evidente limitação dos nossos conhecimentos, sobre a possibilidade ou incapacidade de se pensar numa ou em várias coisas, Saint-Éveremond conclui: a filosofia não serve para nada! Não há qualquer motivo para investir trabalho, dispensar energia e tempo numa operação que, no final das contas, não trará nenhum benefício.
Houve tempo em que cria nos discursos contraditórios dos mais variados filósofos, desde os gregos até os de seu tempo. Com o avançar da idade, entra em conformidade com o espírito cético e passa a adotar o famoso epokhé cético, a suspensão de juízo, e de buscar incessantemente. Dá as costas para os dogmas, e o simples prazer em discurssar, e abraça a viva filosofia prática, pragmática, vinculada ao cotidiano. Assim, seu imperativo categórico passa a ser:
"Falando sabiamente, temos mais interesse em aproveitar o mundo do que em conhecê-lo."



