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Filosofia da Putaria

por Breno Lucano

Recentemente ouvi um comentário do tão falado filme da época: 50 Tons de Cinza. Uma garota muito mau comida - ou que nada entendeu do filme! - afirma em bom tom que não aceitaria se submeter às cenas apimentadas dos personagens, especialmente às de sadomasoquismo. Que seja!

Falei sobre esse tema algumas vezes. E é sempre bom recordar. Possivelmente essa garota, imbuída de pensamentos castradores e moralistas, reflete a sexualidade dessa forma. Pessoalmente, também não me agrada muito o sadomasoquismo. Mas devemos olhar sobre outro angulo.

Diversas Facetas do Caráter de Zeus

Zeus é uma divindade dada aos amores; seduz deusas e mortais, indiferentemente, e sua prole perfaz uma verdadeira legião. Não poucas famílias reivindicam a glória e a autoridade do deus supremo como pai de sua progênie. Daí ter surgido uma, por assim dizer, mitologia popular desse deus. Ele pertencia a uma sociedade monogânica em que o macho dominava, de sorte que, embora a mentalidade da época tivesse sua moral, os padrões para homens e mulheres eram diferentes. Os amores ilícitos eram possíveis e mesmo aprovados (se não oficialmente sancionados) em se tratando de homens - mas, em circunstância nenhuma, tolerados no caso das mulheres. Desse modo, Zeus tornou-se a imagem glorificada não apenas do pai e esposo, mas também do amante. O número de suas conquistas será, por si só, um tema riquíssimo.

Estoicismo e Poesia Romana

Marco Aneu Lucano
por Breno Lucano

Um dos aspectos notáveis do período imperial é a influência exercida pela filosofia - particularmente o estoicismo - sobre a literatura romana, inclusive a poesia - um aspecto sem paralelo em outras eras da Antiguidade. Porém, no período republicano tardio, a filosofia chegou a desempenhar papel significativo na educação dos gregos e romanos de alta extração social. Na literatura romana, a presença da filosofia, inclusive do estoicismo, fez-se notar no campo da poesia e da prosa a partir do final do século I a.C. e por todo o século I d.C.


Pergunta-se quais os limites dessa influência. A resposta pode variar: a questão, como não poderia deixar de ser, é complexa. O foco aqui incide sobre a sátira, a épica e a tragédia de Sêneca. A linguagem e os conceitos do estoicismo estão presentes nos três satíricos romanos, mas em Horácio e Juvenal o uso do estoicismo é localizado e oportuno. Horácio (65-5 a.C) é bem capaz de utilizar, como alvo de suas sátiras, importantes conceitos estóicos tais como a perfeição do sábio e a tolice e a irracionalidade de todos os demais, ou a idéia de que somente o sábio é livre (Sátiras II 3,7). Mas em suas Odes Romanas ele também é capaz de fundir temas estóicos e atitudes patrióticas para criar uma poderosa poesia lírica.

Os Homens e os Divinos Imortais

Por José Cavalcante de Souza

É por oposição aos homens que os deuses homéricos se definem: ao contrário dos humanos, seres terrenos, os deuses são princípios celestes; à diferença dos mortais, escapam à velhice e à morte. Escapam à morte, mas não são eternos nem estão fora do tempo: em princípio pode-se saber de quem cada divindade é filho ou filha. A imortalidade, esta sim, está indissoluvelmente ligada aos deuses que, por oposição aos humanos mortais, são freqüentemente designados de "os imortais" e constituem, em sua organização e em seu comportamento, uma sociedade imortal de nobres celestes.

Nós e o Mito

Por Noberto Luiz Guarinello

Ao contrário dos nossos mitos contemporâneos, celebridades fugazes muitas vezes criadas pela imposição da mídia, os mitos gregos serviam para dar sentido ao mundo e à existência humana. Seus deuses ajudaram o homem a compreender uma natureza repleta de mistérios e, também, a escrever a historia de uma civilização que permanece, até hoje, como uma das mais magníficas de todos os tempos.

Todas as sociedades, em todas as épocas, têm seus mitos, suas lendas e seus heróis, que expressam a maneira como os homens se relacionam entre si e com o mundo. Os mitos e heróis contemporâneos são fugazes, midiáticos, celebridades bem humanas que despontam e se apagam ao sabor da novidade, no fluxo incessante de notícias e informações que nos bombardeiam a cada dia, num ritmo sempre crescente. Nossos verdadeiros mitos deslocam-se para o futuro, para objetivos a serem alcançados: desenvolvimento sustentável, diminuição das desigualdades, fim da fome, paz mundial, etc. São, na verdade, promessas, esperanças de um mundo melhor. Dão sentido a nossa existência cotidiana, projetando nossas ações para algo além da realidade presente, algo melhor, algo superior, como ma ninfa grega que perseguíssemos pelos bosques da modernidade, sem nunca alcançá-la.