Ideologia e Alienação

por Breno Lucano

Talvez a palavra mais usada atualmente, embora em termos bem vulgares, seja ideologia. Periódicos e as redes não cansam de falar em ideologia de gênero, ideologia marxista, ideologia feminista. Mas o que é ideologia?

O conceito de ideologia origina-se na obra  do iluminista Antoine Destutt de Tracy, autor do tratado Les élements de l'idéologie (1801-1807) e que pertenceu a um grupo de pensadores que incluía o filósofo Dégerando, o médico Cabanis e o matemático Condorcet, que passaram a ser conhecidos nesse período como "ideólogos" (idéologues). A proposta original era a de formular uma genealogia da idéia, decompondo o processo de formação das idéias no homem. Esse projeto foi influenciado pelo sensualismo de Condilac, em seu Tratado das Sensações (1754), que, por sua vez, inspira-se no empirismo de Locke. As teorias dos ideólogos era servir como fundamento para a educação, fornecendo em última análise as bases para a reforma da sociedade no sentido iluminista.

Será o Homem Racional?

por Breno Lucano

"Então vá fumar maconha. Maconha ajuda a ter uma vida mais feliz... As implicações lógicas são fundamentais em qualquer discurso filosófico. Mesmo que o resultado disso seja o niilismo, o caos e o desespero... Quem busca a felicidade de bobo-alegre, aquela felicidade baseada numa sentença mágica, num mecanismo milagroso, numa dieta revolucionária é a 'auto-ajuda'". - Resposta de um usuário do G+

Essa resposta foi-me dada como reação a um de meus posts no G+ que se segue:

"Pouco importa se uma dada filosofia faz ou não sentido, se possui implicações lógicas ou metafísicas falsas. A pergunta que se deve fazer é: ela o ajuda a ter uma vida mais feliz?"

Em muitos aspectos achei essa resposta interessante. Ela se refere àquela que possivelmente é a questão central da filosofia, já muito discutida sob variados enfoques: como desfrutar de uma boa vida? Essa questão, como sabemos, foi refletida na antiguidade por variados autores, perpassou o medievo, atingiu a modernidade e encontrou seu ápice na pós-modernidade. Longe de afirmar que uma visão sobrepuja a outra. Isso não seria filosofia, por mais que alguns assim o vejam. Antes, tratam-se apenas de abordagens.

Moral e Caráter

por Breno Lucano

Todo ato moral, qualquer que seja, implica necessariamente em consciência e liberdade. Isto porque consciência e liberdade são indispensáveis para a moralidade ou, em outras palavras, apenas é moral o indivíduo que seja consciente de seu ato e esteja livre para optá-lo.

Contudo a moralidade é um evento social. Embora exercido indivudalmente, as bases que incindem sobre a moralidade possuem fundamentação em interesses e necessidades sociais. A atividade moral se realiza no quadro de várias condições das quais fazem parte os valores, princípios, normas, tal como a estrutura ideológica que existe nas instituições e meios de comunicação em massa. Mas deixemos de lado por hora os mecanismo através dos quais tais instituições influem a moralidade e passamos a investigar tão somente o indivíduo.

Sobre Identidade de Gênero e Orientação Sexual

Por Breno Lucano

Quando terminei minha graduação escrevi sobre uma abordagem filosófica sobre o uso de drogas em meu TCC. Foi apenas uma abordagem, dentro tantas que existem sobre esse tema. Isso é ciência. Ela se faz por diferentes narrativas dialéticas, onde se pode observar o mesmo objeto por variados angulos. Qualquer um que tenha feito uma simples graduação sabe disso.

O mesmo ocorre quando discorremos sobre temas espinhosos porque novos, como identidade de gênero e orientação sexual. Alguns dirão que não passa de ideologia de gênero gayzista. Não me preocupo muito com esses. Seria melhor que lessem antes do assunto antes de tecer considerações proveitosas, assim como tive que ler sobre uso de drogas. Não me atreveria escrever sobre fiísica quantica. Não é minha área, nada conheço sobre o assunto. Teria que ler sobre o assunto, refletir e, depois tecer algumas considerações. Não tenho como dizer se Stephen Hawking estava certo ou não porque nunca li um livro seu. Ele é um autor especialista.

Teorias Éticas

por Breno Lucano

Ao longo de alguns meses tenho explicado algo mais específico no universo da ética, onde esmiucei um pouco nos textos Consciência Moral, Ignorância e Responsabilidade e Caráter Histórico da Moral. Mas igualmente temos que refletir sobre o próprio conteúdo dessa responsabilidade e obrigação moral, de modo que discursemos sobre como devemos agir. Assim, inicio o artigo com a seguinte pergunta: o que me obrigo a fazer?

Para responder essa pergunta, os éticos costumam dividir suas teorias em dois blocos: ética deontológica e ética teleológica. Uma teoria ética deontológica (do grego déon, dever) recebe esse nome quando não se faz depender a obrigatoriedade da ação exclusivamente das consequências da própria ação ou de uma norma específica. As teorias teleológicas (télos, fim), por outro lado, derivam o conteúdo moral unicamente das consequências, do fim, das ações.

Períodos da Filosofia Antiga

por Breno Lucano

É comum na historiografia filosófica antiga três grandes períodos que demarcam os diversos autores. O primeiro período se inicia com os pré-socráticos - também chamados de cosmológicos -, que principia com Tales de Mileto e finda com Sócrates de Atenas; o segundo, chamado de antropológico ou socrático, começa com Sócrates e os sofistas e vai até Aristóteles; e, finalmente, com o período helenístico, que vai do surgimento dos sistemas cosmopolitas (epicurismo, estoicismo, neoplatonismo e ceticismo) e se estende até o final do Império Romano.

Vale lembrar que esses períodos conservam alguma relação com os períodos históricos, mesmo que precariamente. Eles possuem função meramente cronológico e didática e não devem ser vinculados fielmente à história como a conhecemos, seja história arcaica, clássica e helenista. Servem, antes, apenas como categorias através do qual seja possível compreender melhor os diversos sistemas filosóficos.