Por Que Valorizamos as Coisas?

por Breno Lucano

Os atos morais carecem de uma escolha entre tantos atos possíveis. Dizer que se escolho A em detrimento de B ou C significa que a A damos preferência. A é mais valioso que B ou C. Por isso deixamos de lado B e C, que são menos valiosos. Ter de escolher supõe, portanto, que preferimos o mais valioso ao menos valioso moralmente. Ter um conteúdo axiológico (de axios, em grego, valor) não significa somente que consideramos a conduta boa ou positiva, digna de apreço ou de louvor, do ponto de vista moral; significa também que pode ser má, digna de condenação ou censura, ou negativa do ponto de vista moral. Seja como for, a avaliação se dá sempre em termos axiológicos.

Se o julgar e o consequente optar dependem de um valor, que valor é esse?  Como defini-lo? Como escolher uma entre tantas possibilidades viáveis?  Por que as coisas valem? Essas são questões que entram de encontro com duas teorias éticas: o objetivismo axiológico e o subjetivismo axiológico.

Onesícrito de Égina

Século IV a.C.. D.L. 6.75 menciona "um certo Onesícrito de Égina" que enviou seus filhos Andróstenes e Filisco, um após o outro, para estudar com Diógenes e depois, como eles não retornaram, foi ele próprio ao encontro do filósofo e ficou tão impressionado que permaneceu com ele como discípulo.


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Correto Uso da Filosofia

são Francisco de Assis
por Breno Lucano

Aqueles que acompanham meu trabalho desde o início, nesses últimos dez anos, e se transformou no Portal Veritas, sabem que sou ex-seminarista franciscano. Assim como são Francisco, um dia também quis ser um frade. Por motivos diversos, desisti de meu intuito e me enveredei por várias correntes da filosofia, de modo que há muito não me ocupo mais com a metafísica. Ainda assim, algo ficou em mim daquelas épocas.

Uma de minhas últimas conversas com frei Hermenigildo, já falecido, foi-me muito marcante. Disse-me que o frade pode exercer várias frentes de trabalho, como simples porteiro de convento, um militante de causas sociais e até mesmo um professor universitário. E que o mais bonito disso tudo era saber que, mesmo sendo, talvez, um importante pesquisador professor doutor ele olha para si e não vê nada mais que um frade, e vê a si mesmo e aos outros como iguais, em sua itinerância, indigência e minoridade, a todos servindo.

Religião e Moral

por Breno Lucano

Em termos genéricos, podemos entender religião a fé ou crença na existência de potências sobrenaturais com os quais o homem estabelece relações. Do ponto de vista das relações entre homem e divindade, a religião se caracteriza pelo sentimento de dependência do homem à Deus e pela garantia de salvação da alma ante aos males terrenos.

A salvação num além proposto pela religião indica, como premissa, o reconhecimento da própria religião de que existem males terrenos, ou, em outras palavras, na existência de uma limitação ao pleno desenvolvimento humano. O indicativo de que esse desenvolvimento será concluso em outra vida, de certa forma, demonstra que a religião não se resigna com os males deste mundo e lhes dá uma solução, ainda que no mundo ultraterreno. Em contrapartida, quando se perde de vista que inclui um protesto contra o mundo real, a religião logo se transforma num instrumento de conformismo, resignação ou conservadorismo. Assim, a luta por um mundo melhor cede espaço para a espera passiva de tudo será melhor no além. Essa é a função que a religião desempenhou historicamente durante séculos, colocando-se, como ideologia, a serviço da classe dominante. Mas não foi assim em suas origens, quando a religião cristã nasceu como religião dos oprimidos em Roma.

Sade, um Libertino Religioso?

por Breno Lucano

De modo geral, considerando os 27 anos com que Sade ficou preso, entende-se que sua obra seja mera transgressão sexual, um caso patológico. Mas esse é um equívoco de viés moralista, reducionista e superficial. Sade incomodava e ainda incomoda não por ser um depravado, mas por subverter a hierarquia dos discursos.

A concepção de otimismo e de bondade encontrada no estado de natureza - presente, por exemplo em Rousseau - era refutada por Sade. Para ele, a natureza nos levou ao estado de guerra e destruição perpétuas. Em substituição à bondade, Sade coroa o egoísmo como o motor primário do homem. Assim, seus escritos são marcados por destruição, orgias, assassinatos, adultérios, estupros, incestos, sodomitas, parricídios, lesbianismo, flagelação. Em outras palavras, práticas sexuais insólidas de todos os tipos eram meios de exprimir o que de pior pode existir por ser próprio da natureza: uma visão de mundo caótica de prazeres, sem Deus e qualquer justificação racional de moralidade. Para Sade, o anti-Rousseau, não havia qualquer esperança para a humanidade. A extinção da espécie era inevitável devido ao poderio de destruição dos homens, e não havia qualquer motivo para se lamentar por isso.

Supernatural e a Questão do Mal

Cartaz da série
por Breno Lucano

Criada em 2005 por Eric Kripke e estrelada por Jared Padalecki e Jensen Ackles, Supernatural é uma série de horror urbano onde dois irmãos se vêem às voltas com um mundo pouco convencional, repleto de monstros, fantasmas, demônios, criaturas do abismo, onde sua única razão de viver é sobreviver e expulsar tais criaturas da Terra. Mas, ora, num mundo assim, tão diabólico, o mocinho principal, Deus, deve existir. Certo?

Após anos caçando monstros, Dean parece não ter tanta certeza. Mesmo tendo passado pelo Paraíso, Inferno, Purgatório, ainda não tem certeza. Quais outras evidências seriam necessárias para a existência de Deus? Vejamos.

Para salvar a alma de Sam, Dean faz um pacto com um demônio e, por isso, é tragado para o Inferno no fim da terceira temporada. Mas logo na quarta, no início, temos ele sendo puxado do Inferno por um anjo. Mesmo assim, Dean se recusa a acreditar em Deus e o seguinte diálogo é traçado:

Quarteto Fantástico e a Filosofia: Dilemas de Galactus

por Breno Lucano

Galactus e o Surfista Prateado
Os quatro membros do Quarteto Fantástico são heróis problemáticos. Mas todos trabalham em conjunto com o intuito de contornar esses problemas e - nas palavras de Ben - "usar seu poder para ajudar a humanidade". No Universo Marvel, essa resolução conjunta de problemas se torna extremamente necessária porque os vilões surgem o tempo todo e ameaçam a vida de pessoas comuns. Mas pensemos num personagem surgido na edição #48, Galactus.

A Marvel cria um ser extremo, além do Bem e do Mal, e que sobrevive e reabastece seu poder consumindo planetas inteiros. Repentinamente, surge o Vigia Surfista Prateado na imensidão do cosmo e se direciona à Terra para avisá-la de que este será o próximo planeta a ser consumido por Galactus. Ao se aproximar, Galactus tem o seguinte diálogo com o Vigia: