Diferença Entre Esquerda e Direita

por Breno Lucano

Todos se recordam do garoto torturado no mercado de São Paulo. A Folha de São Paulo, matéria de 06/09/19, informa que o garoto é analfabeto, usuário de crack e filho de mãe alcoólatra. 

Nossa reação quanto esta matéria demonstra claramente nossa tendência no espectro político esquerda ou direita. Se olharmos e nos espantarmos e pensarmos que esse garoto poderia ter tido outras opções de vida, já que esta o levou para a Fundação Casa e a uma situação onde ele passa e reproduz violência. Certamente você está indo mais à esquerda. O cara de direita pensa de pronto: "não tem que proteger, o garoto era ladrão. Não pode criminalizar os guardas.". Assim age o senso comum. 

Essa dualidade dos pontos-de-vista partem da dualidade do próprio direito e da filosofia que o representa. O advogado quase sempre é historicista, enquanto o promotor quase sempre kantiano. O promotor sempre fará o papel do acusador e responsabilizar o réu pelo crime porque ele teria consciência de que fez o errado. Ele sabe o que é certo e errado e escolheu errado. Por isso não pode ser desresponsabilizado e deve ser condenado. Mesmo senso torturado, isso não exime a consciência, núcleo da ação moral. Assim age a direita. 

Prazer Narcótico e a Subjetividade

Aos meus leitores, ofereço meu artigo científico apresentado como TCC na pós-graduação em Saúde Mental na Universidade Candido Mendes. Caso queiram também fazer o download, basta acessar o link no fim do texto.

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PRAZER NARCÓTICO: ESTRUTURA DA SUBJETIVIDADE

Breno de Magalhães Bastos 



RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso objetiva desenvolver a temática do prazer enquanto motivador para o uso e abuso de drogas. Utilizou-se pesquisa bibliográfica, onde apresentou-se as principais drogas usadas no exercício da adicção, bem como algumas motivações possíveis dentro do universo de variados autores que abordam a questão do prazer, desde a antiguidade até o momento pós-moderno, como EPICURO (2005), ARISTIPO (2008), SADE (1999) e MICHEL ONFRAY (1999), entre outros. Procuraremos responder a seguinte pergunta: de que modo o prazer se põe como fator estruturante para a vida psíquica e sua relação com as substâncias psicoativas. Os dados conclusivos estabelecem estreita relação entre o prazer narcótico e a realização humana.
Palavras-chave: Prazer; Drogas; Adicção; Gozo; Incompletude.


Divaldo Franco e Filosofia

Guilherme Lobo e Divaldo Franco
por Breno Lucano

Um bom filme que entrou em cartaz atualmente é Divaldo, Mensageiro da Paz. Trata-se da cine-biografia de Divaldo Pereira Franco, famoso médium do meio espírita, com várias dezenas de livros publicados e vasta obra social na Bahia. Interpretado por Bruno Garcia e Guilherme Lobo em diferentes fases da vida de Divaldo.

Como disse, bom filme. Mas que merece reflexões.

Permeado com pensamentos espíritas, embora não tão clichê em termos de propagação de uma pretendida fé que muito mais parece católica que espírita, como ocorre no filme de Chico Xavier. Mostra um Divaldo esquizofrênico, não sabendo diferenciar realidade (o mundo material) do místico-religioso (o mundo dos espíritos). Ocupa-se dos espíritos da mesma forma que com os vivos, como se todos estivessem envoltos com o mesmo nível de realidade.

Justiça em La Mettrie

Por Breno Lucano

Dentre as questões que envolvem La Mettrie, uma chama chama especial atenção: as relações entre determinismo e moral. Se os acontecimentos são geridos por genuína articulação da matéria, de tal modo que o que ocorre no homem é fruto do modo como o corpo se conforma - bem ao modo como vemos no século XXI -, e se ninguém é responsável pelo Bem e pelo Mal, então como devemos agir?

Respondendo essa questão, La Mettrie se coloca além do Bem e do Mal, não se rebelando em nome da moral moralizadora, já que recusa o juízo de valor, indo em direção a um gênero de piedade pós-cristã. Um delinquente não é um carrasco e sim uma vítima. Tal como um ser vítima de homicídio, o matador não é responsável ou culpado: são somente movimentos da natureza, determinações da matéria.

Nazismo, Esquerda ou Direita?

Entrada de Auschwitz
por Breno Lucano

Nas discussões políticas atuais, tingidas pela polarização entre esquerda e direita no espectro, temos acusações mútuas. Não negamos que o Khmer Vermelho fez milhões de vítimas, mas também não podemos negar que o nazismo foi de extrema direita.

Essa conversa ocorreu no Brasil porque a direita no Brasil é essencialmente desescolarizada. A tese do nazismo de esquerda foi inventada pela direita porque, é claro, ninguém quer carregar nas costas que o nazismo foi o perdedor da guerra e responsável pelo holocausto. Ninguém quer Hitler para ele, o mal do mundo.

Religião e Moral

por Breno Lucano

Em termos genéricos, podemos entender religião a fé ou crença na existência de potências sobrenaturais com os quais o homem estabelece relações. Do ponto de vista das relações entre homem e divindade, a religião se caracteriza pelo sentimento de dependência do homem à Deus e pela garantia de salvação da alma ante aos males terrenos.

A salvação num além proposto pela religião indica, como premissa, o reconhecimento da própria religião de que existem males terrenos, ou, em outras palavras, na existência de uma limitação ao pleno desenvolvimento humano. O indicativo de que esse desenvolvimento será concluso em outra vida, de certa forma, demonstra que a religião não se resigna com os males deste mundo e lhes dá uma solução, ainda que no mundo ultraterreno. Em contrapartida, quando se perde de vista que inclui um protesto contra o mundo real, a religião logo se transforma num instrumento de conformismo, resignação ou conservadorismo. Assim, a luta por um mundo melhor cede espaço para a espera passiva de tudo será melhor no além. Essa é a função que a religião desempenhou historicamente durante séculos, colocando-se, como ideologia, a serviço da classe dominante. Mas não foi assim em suas origens, quando a religião cristã nasceu como religião dos oprimidos em Roma.