Ética Franciscana

por Breno Lucano


"A Regra e a Vida dos frades menores é esta: observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade." (Regra Bulada, 1)


Francisco de Assis é seguramente uma das figuras mais emblemáticas e populares do cristianismo. É de conhecimento geral alguns elementos de sua biografia, de modo que se tornou quase como um personagem folclórico, uma espécie de hippie pós-moderno. A imagem do rico que se fez pobre, vivia nos campos comendo frutos, dançando e cantando com leprosos e abençoando os animais fizeram dele alguém reconhecido na história, embora sejam apenas alguns aspectos excessivamente românticos do homem do século XIII.

Francisco foi um frei medieval, fundador de uma das grandes Ordens religiosas - os franciscanos. Alguns dirão ser impossível pensar Francisco sem os elementos religiosos que o produziram, mas creio que este seja algo possível. Ou melhor, re-interpretar sua biografia com o olhar atual pós-modernos. Vejamos.

Movimento Black Bloc

por Breno Lucano

Uma dificuldade notória em termos de pesquisas sociais na sociedade brasileira atual é a imparcialidade que se torna necessária para entender o fenômeno. Afastar as noções de bem ou mal e justo ou injusto são fundamentais para que se faça uma leitura adequada dos eventos sociais.

Deparei-me com um livro bem interessante chamado Mascarados: A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc, escrito pela socióloga e pesquisadora Esther Solano. O livro surgiu de suas conclusões após intenso convívio com os jovens adeptos da tática, através do qual se pôde dar prosseguimento às pesquisas in loco.

À primeira vista o que temos visto nas manifestações que se originaram com o reajuste das passagens de ônibus e prosseguiram em outras manifestações é a grande massa afirmando que não se faz protestos c om violência. Ainda mais, que democracia não se faz com violência e que o povo brasileiro é pacífico. Mas ao falar isso não se considera que o sistema político, corporativo e social são extremamente violentos. A violência estrutural é imperceptível para a maioria, mas não significa que não exista.

Relatividade e Filosofia

por Breno Lucano

É comum os professores encontrarem a seguinte situação: chega em sala de aula, expõe um assunto qualquer e, ao final, pergunta aos seus alunos suas percepções e tem a resposta de que tudo é relativo. Após uma hora de aula o aluno vai pra casa pensando que o professor tem a opinião dele e ele tem outra.

Isso ocorre porquanto se confunde não raro relativismo e relatividade. Relativismo é uma postura filosófica que entende que todas as formas de pensar são válidas, assim como os valores e comportamentos. O relativismo é uma espécie de negação de critérios absolutos que vê tudo como circunstancial, circunscrito a uma época e a um tempo e cultura, sendo tangido pelo subjetivismo. Em outras palavras, o relativismo é uma recusa de uma única verdade e oferece o contra-ponto do positivismo, onde a Verdade é a ciência.

Escola Sem Partido e Paulo Freire

por Breno Lucano

Criado em 2004, o Projeto Escola Sem Partido possui como proposta o combate à doutrinação ideológica em escolas e ganhou repercussão nacional com o projeto de lei 867/2015 do deputado Izalci Lucas, PSDB-DF. Esse projeto de lei determina como o professor deve se portar em sala de aula, de modo a promover a diversidade, igualdade e inclusão através do livre debate de idéias.

Variadas são as perguntas e entraves que se colocam ao se desdobrar o assunto. Antes de tudo, deve-se pensar que o Escola Sem Partido se auto-denomina sem partido, ou, em outras palavras, um projeto que não possui vertente política. Mas isso se torna questionável se levarmos em conta que o projeto de lei foi criado à pedido do deputado Flávio Bolsonaro. Uma rápida busca pelo site oficial vê-se uma ampla demonstração de política que pretende desmoralizar o PT, Marx e o movimento estudantil.

Africanos e a Filosofia

por Breno Lucano

Encontramos com facilidade nos livros e manuais de filosofia uma história do pensamento que se instaura na Grécia e se dissipa lentamente por toda a Europa, até chegarmos nos EUA. Assim, com um olhar panorâmico sobre sua linearidade histórica percebemos facilmente que todo o eixo do pensar se concentra nesses pólos: Europa e EUA. Ao fazermos isso, desconsideramos fontes outras da filosofia, como a chinesa, a hindu e africana. A história da filosofia entende por canônica somente aquilo que possui origem na Europa e comete conscientemente um distanciamento proposital de tudo o que dela não provém, como sendo de menor importância ou desprovido de saber legítimo. 

A recepção, contudo, da filosofia africana se deu com resistência em razão da própria maneira com que o negro foi trazido ao Brasil. A filosofia africana sofreu longo processo de deterioração de suas raízes porque se entende que tudo que provém da África não seja importante. Temos, assim, um verdadeiro racismo epistemológico: o saber que não se torna relevante em função de suas condições históricas e sociais, mesmo com as figuras de Agostinho, Plotino, Camus e Derrida. 

Bicho de Sete Cabeças e a Filosofia

por Breno Lucano

Interpretado por Rodrigo Santoro, Bicho de Sete Cabeças é um daqueles filmes que não se pode esquecer quando se pensa em Foucault. Nele, um jovem chamado Neto, vivido na vida real por Astregésilo Carrano, possui uma vida como a de qualquer jovem de sua idade. Rebelde, talvez; dava um teco aqui e outro lá. Possuía relação difícil com seu pai. Aliás, muito difícil. Um incompreendido. Mas qual adolescente não o é? Mas seu pai fez desse comportamento um bicho-de-sete-cabeças e o internou num manicômio. Afinal, lá é o local onde se trata dependentes químicos ou mesmo quem apenas dá um teco eventualmente. É isso o que se pensa ainda hoje. E Neto, então, conhece o inferno na Terra quando se depara com a realidade manicomial. Eletroconvulsoterapias, drogas neurolépticas para dopar, descaso dos médicos, maus tratos do corpo de enfermagem, doentes andando nus, jogados pelos cantos à procura de cigarro, perda de todo e qualquer vestígio de privacidade e de algo que se possa chamar de seu.