Qual a Democracia Que Queremos?

Ainda não assisti o debate de ontem. Mas ainda quero ver um tal deputado que quer ser presidente com uma cola na mão e que prefere resolver seus dilemas no grito... e ter pena da forma como somos miseráveis por pensar como alguém pode querer votar nele.

Aquele que nada sabe não possui condições de querer ser presidente. Está certo, constitucionalmente, qualquer um o pode. Mas sem conhecer nada de nada, a não ser ensinar uma criança a atirar, demonstra não ter qualquer competência técnica e mesmo moral para tal.

Ocorre que, por desagravo com Lula, todos correm para a direção diametralmente oposta, ingenuinamente, como se isso melhorasse algo. Todos esperam um anjo caído do céu, um messias capaz de resolver nossos problemas como um passe de mágica. Mas, além de ingenuidade, isso também é burrice. Burrice por não entender que os problemas se resolvem com história, no decorrer da história. Esperar que tudo melhore em poucos anos é impossível. Talvez nossos bisnetos vejam algo melhor, mas apenas um pouco. Não muito.

E é mais burrice ainda pensar de que forma alguém que ensina uma criança a atirar e possui três condenações por ataque a grupos sociais minoritários possa melhorar algo. Na melhor das hipóteses apenas demonstra não saber o que é democracia. E quando falo em democracia, falo do entendimento moderno de democracia. Talvez o tal deputado seja suficientemente desatualizado para pensar que a nossa democracia é a mesma da Grécia antiga, onde mulheres, escravos e menores de idade não eram cidadãos.


Sobre as Cotas Étnicas

por Breno Lucano

Cotas raciais é um daqueles temas em que as pessoas, de modo geral, negam-se a ouvir. As pessoas gritam "esquerdista", "comunista", "fascista". Elas não conseguem ouvir. O ódio toma conta da reflexão. Já escrevi um pouco disso no texto Política Pública de Minorias.

A política étnica de cotas são uma tentativa de acelerar o processo de integração. Pelo processo normal os negros não ocupam os espaços que poderiam ocupar. Essa política serve para que ocorra o costume de se encontrar os negros nesses lugares, lugares onde historicamente não deveriam estar, mas agora estão. Esse é um passo para terminar com o preconceito. Isso ocorreu nos EUA com republicanos e democratas.

Claro, esse processo político não pode substituir o processo natural do liberalismo que diz que a escola deve ser pública e de boa qualidade e essa escola que fará integração. No Brasil a escola não fez esse papel. Os negros não conseguiram se manter nessas escolas. O motivo: preconceito étnico.

Movimento Black Bloc

por Breno Lucano

Uma dificuldade notória em termos de pesquisas sociais na sociedade brasileira atual é a imparcialidade que se torna necessária para entender o fenômeno. Afastar as noções de bem ou mal e justo ou injusto são fundamentais para que se faça uma leitura adequada dos eventos sociais.

Deparei-me com um livro bem interessante chamado Mascarados: A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc, escrito pela socióloga e pesquisadora Esther Solano. O livro surgiu de suas conclusões após intenso convívio com os jovens adeptos da tática, através do qual se pôde dar prosseguimento às pesquisas in loco.

À primeira vista o que temos visto nas manifestações que se originaram com o reajuste das passagens de ônibus e prosseguiram em outras manifestações é a grande massa afirmando que não se faz protestos c om violência. Ainda mais, que democracia não se faz com violência e que o povo brasileiro é pacífico. Mas ao falar isso não se considera que o sistema político, corporativo e social são extremamente violentos. A violência estrutural é imperceptível para a maioria, mas não significa que não exista.

Qual o Verdadeiro Platão?

por Breno Lucano

Platão foi lido e continua sendo no decorrer dos séculos. Mas com frequência vemos platões diferentes, especialmente quando comparados a diversos períodos históricos. Assim ocorre quando temos o Platão lido por Aristóteles, aquele autor preocupado com a distinção entre o mundo sensível e o mundo inteligível, com o ser e o não-ser e com as questões lógicas do conhecimento.

Se compararmos com o Platão do século VI. O Platão de Plotino é algo bem diverso. Esse é o filósofo preocupado com a teologia: o Bem (a idéia suprema para Platão) é o ser uno e indizível, luz infinita, impensável e incalculável pelo espírito comum, espalhando em emanações capazes de criar o mundo, desde as formas estritamente espirituais até as imanentes.

Para os primeiros cristãos o verdadeiro Platão é o da imortalidade da alma, da crítica do corpóreo, da purificação espiritual, da salvação.

Ideologia e Alienação

por Breno Lucano

Talvez a palavra mais usada atualmente, embora em termos bem vulgares, seja ideologia. Periódicos e as redes não cansam de falar em ideologia de gênero, ideologia marxista, ideologia feminista. Mas o que é ideologia?

O conceito de ideologia origina-se na obra  do iluminista Antoine Destutt de Tracy, autor do tratado Les élements de l'idéologie (1801-1807) e que pertenceu a um grupo de pensadores que incluía o filósofo Dégerando, o médico Cabanis e o matemático Condorcet, que passaram a ser conhecidos nesse período como "ideólogos" (idéologues). A proposta original era a de formular uma genealogia da idéia, decompondo o processo de formação das idéias no homem. Esse projeto foi influenciado pelo sensualismo de Condilac, em seu Tratado das Sensações (1754), que, por sua vez, inspira-se no empirismo de Locke. As teorias dos ideólogos era servir como fundamento para a educação, fornecendo em última análise as bases para a reforma da sociedade no sentido iluminista.

Será o Homem Racional?

por Breno Lucano

"Então vá fumar maconha. Maconha ajuda a ter uma vida mais feliz... As implicações lógicas são fundamentais em qualquer discurso filosófico. Mesmo que o resultado disso seja o niilismo, o caos e o desespero... Quem busca a felicidade de bobo-alegre, aquela felicidade baseada numa sentença mágica, num mecanismo milagroso, numa dieta revolucionária é a 'auto-ajuda'". - Resposta de um usuário do G+

Essa resposta foi-me dada como reação a um de meus posts no G+ que se segue:

"Pouco importa se uma dada filosofia faz ou não sentido, se possui implicações lógicas ou metafísicas falsas. A pergunta que se deve fazer é: ela o ajuda a ter uma vida mais feliz?"

Em muitos aspectos achei essa resposta interessante. Ela se refere àquela que possivelmente é a questão central da filosofia, já muito discutida sob variados enfoques: como desfrutar de uma boa vida? Essa questão, como sabemos, foi refletida na antiguidade por variados autores, perpassou o medievo, atingiu a modernidade e encontrou seu ápice na pós-modernidade. Longe de afirmar que uma visão sobrepuja a outra. Isso não seria filosofia, por mais que alguns assim o vejam. Antes, tratam-se apenas de abordagens.