Sexo Gay na Novela

por Breno Lucano

Em 2016 a Rede Globo finalmente colocou, mesmo que às 23: 00 h, na novela Liberdade, Liberdade, uma cena de sexo entre homens. Em várias outras produções, mesmo que implicitamente, o sexo foi dramaturgicamente construído, mas nunca com o mesmo tom de Liberdade, Liberdade.

Como sempre, grupos conservadores denunciaram a tal cena, mas, dessa vez, não usaram mais argumentos tais como "e se meus filhos verem" e coisa do tipo. Era tarde, crianças dormindo. Contudo, a imaginação será sempre fértil para se criar algo para denegrir o que se discorda. Pessoas ditas conservadoras sempre gritarão, pessoas que não possuem articulação com a cultura e a escolaridade e que só transam à noite, no escuro, para procriação, uma vez ao ano: fora disso, teremos pecado!

Fascismo no Brasil?

por Breno Lucano

É possível um comportamento fascista sem que haja fascistas de fato? Em outras palavras: é possível que, mesmo que não seja implantado uma estrutura política nitidamente fascista, ainda assim existam ações que a caracterizam? Disso não duvidamos.

Isso ocorre porque o fascismo possui, talvez como sua maior marca, a recusa pelo diálogo. A conversa não lhe agrada, não o satisfaz. Isso se torna nítido quando vemos quando a população batendo panelas. Ora, o bater panelas impede que se ouça o que o político quer dizer. Não se possui interesse em conversar, em debater idéias. Apenas bate-se panelas.

Entre os políticos isso também se torna evidente. Que se recorde dos que fizeram manifestações na Copa e nas Olimpíadas. Não há diálogo, elas são retiradas, são eliminadas.

Tornar-se o que se é

por Breno Lucano

Enquanto um personagem na história da filosofia, Nietzsche normalmente é colocado como um divisor de águas, alguém capaz de dividir a história antes e depois dele. Assim o pensa Jaspers, já que, antes dele, tínhamos o conhece-te a ti mesmo socrático e, depois, a história se desemboca numa profunda insatisfação quanto à racionalidade e pela quebra das autoridades até então existentes.

Weber entende que o mundo onde nós existimos em termos de pensamento é um mundo cunhado pelas figuras de Marx e Nietzsche. Fato é que o filósofo estende sua figura para além da filosofia, abraçando campos como a literatura, poesia e belas artes, tornando, talvez, o mais famoso pensador alemão. A partir de sua obra aparentemente fragmentada, mas marcadamente vitalista, Nietzsche vê o filósofo como aquele capaz de construir sua própria morada num constante embate contra a moral.

Direitos Humanos e a Chacina de Manaus

por Breno Lucano

Temos visto com alguma freqüência, especialmente entre os conservadores, nítida confusão conceitual sobre Direitos Humanos ante a tragédia do presídio de Manaus. Há aqueles que argumentam que presidiário não deve ter direitos. Aliás, esse direito deve ser transferido à pessoa do policial porque, ele sim, é um homem do bem, trabalhador e pai de família. Então, quando vemos mortes de policiais, temos uma enxurrada de comentários como "e os direitos do policial que morreu?" ou "porque um preso safado deve ter direitos?".

O erro conceitual surge por não saber o que são Direitos Humanos. Este não é um direito do Estado - representado na pessoa do policial - contra o indivíduo, mas o inverso: é uma defensoria do cidadão contra o Estado. O Estado é o agente ativo, aquele que age legitimamente. É o que cumpre a lei e a faz valer.

Consciência Moral

por Breno Lucano

O problema da obrigatoriedade moral se relaciona estreitamente com o de consciência moral. O termo consciência pode ser usado em dois sentidos: um geral, o de consciência propriamente dita, e outro específico, o de consciência moral. O primeiro pode ser encontrado em construções como: "Pedro perdeu a consciência", "João não tinha consciência dos graves perigos que o ameaçavam". O mesmo sentido possui também a expressão "tomar consciência de nossos atos". Em todos esses casos, o conhecimento ou o reconhecimento de algo ou ter conhecimento ou reconhecimento sobre algo que está acontecendo significa estar consciente de que algo está ocorrendo. Saber que A existe significa ter consciência de que A existe.

O segundo sentido de consciência está presente em construções como :"A minha consciência me diz" ou a famosa voz da consciência. Ele se vincula à obrigatoriedade, embora sempre de modo genérico. A consciência não interfere nos modelos singulares de moralidade. Ter consciência significa aderir a uma obrigação, a um imperativo.

Ética Franciscana

por Breno Lucano


"A Regra e a Vida dos frades menores é esta: observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade." (Regra Bulada, 1)


Francisco de Assis é seguramente uma das figuras mais emblemáticas e populares do cristianismo. É de conhecimento geral alguns elementos de sua biografia, de modo que se tornou quase como um personagem folclórico, uma espécie de hippie pós-moderno. A imagem do rico que se fez pobre, vivia nos campos comendo frutos, dançando e cantando com leprosos e abençoando os animais fizeram dele alguém reconhecido na história, embora sejam apenas alguns aspectos excessivamente românticos do homem do século XIII.

Francisco foi um frei medieval, fundador de uma das grandes Ordens religiosas - os franciscanos. Alguns dirão ser impossível pensar Francisco sem os elementos religiosos que o produziram, mas creio que este seja algo possível. Ou melhor, re-interpretar sua biografia com o olhar atual pós-modernos. Vejamos.