21 março, 2017

Trasilo

Século IV a.C. Cínico que viveu na época de Antígono Monoftalmo. Plutarco (Regum et Imperatorum Apophthegmata, Antinogonus 15.182e; cf. De Vitioso Pudore 7.351f, em que ele menciona um cínico, sem citar o nome) e Sêneca (De Beneficiis 2.17.1) relatam uma história que reúneo sucessor de Alexandre, Antígono Monoftalmo, e o cínico Trasilo. Trasilo pede ao rei uma dracma e recebe a resposta de que a quantia é indigna de um rei; diante disso, ele pede um talento e ouve, então, que a quantia é indigna de um cínico.


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19 março, 2017

Robert Owen e o Casamento

Robert Owen, socialista utópico, reformador político, mas igualmente reformador erótico. Isso porque coloca o casamento como pilar de suas críticas sociais. Bem antes de Freud, Owen inter-relaciona a moral castradora e a genealogia do deplorável.

Em matéria de sexo, o êthos obriga à renúncia, celebra o ideal da castidade, inclusive no casamento: deve-se evitar o sexo e, caso não seja possível, tentar não obter prazer com ele. E tão logo ele seja sentido, temos as retaliações religiosas de pecado, erro, culpa.

Já em 1835 Owen faz conferências sobre um casamento pouco ortodoxo, todas publicadas em Lectures on the mariages of the Priesthood of the Old Immoral World. Reflete que o casamento induz à trapaça para com o outro à medida em que se nega a dizer o quanto se está insatisfeito e enfadado com a presença do outro. Assim, leva a renunciar a si mesmo, ao desejo, ao prazer, à alegria, ao júbilo, à sexualidade plena. O resultado? Indiferença, insatisfação que conduz aos vícios e desprezo pela vida que se tem. Além disso, gera a infelicidade dos filhos que são submetidos ao espetáculo desolador de um casal que se mantém junto apenas pela legalidade e, por vezes, ativa entre o marido e a mulher um desejo de dominação, portanto de esmagar o outro.

05 março, 2017

Por Trás da Máscara e a Filosofia

Cartaz do filme
por Breno Lucano

Muitos filmes de horror são bons apenas para dar bons sustos entre uma machadada e outra. Alguns são bem ruins nesse quesito, concordo. Contudo, há um bem inteligente que possui reflexões filosóficas que valem à pena. Trata-se de Por Trás da Máscara: O Surgimento de Leslie Vernon. Lançado em 2006 e estrelado pelo pouco conhecido Nathan Baesel com participação especial de Robert Englund, ator consagrado com mais de sessenta filmes no currículo, sendo Hora do Pesadelo o mais famoso.

Nesse filme os serial killers Freddy Krueger, Jason Voorhees e Michael Myers não são personagens. Tratam-se de assassinos reais, consagrados pela criminologia, ídolos que inspiram outros assassinos, entre os quais Leslie Vernon. O filme se passe sob a perspectiva do psicopata, seus planos, sua articulação, elabora seu modus operandi e reflete sobre o que vai acontecer quando ele atacar a vítma. Isso é uma inovação no cinema do horror em que a vítma é o núcleo dramatúrgico e o assassino apenas aparece, mata e vai embora. Pouco se sabe sobre ele. Aqui é diferente. Uma jornalista conhece Leslie e passa a conviver com ele, aprendendo sobre a personalidade, suas perspectivas, sua visão de mundo e como pretende operar no último momento.

28 fevereiro, 2017

Sexo Gay na Novela

por Breno Lucano

Em 2016 a Rede Globo finalmente colocou, mesmo que às 23: 00 h, na novela Liberdade, Liberdade, uma cena de sexo entre homens. Em várias outras produções, mesmo que implicitamente, o sexo foi dramaturgicamente construído, mas nunca com o mesmo tom de Liberdade, Liberdade.

Como sempre, grupos conservadores denunciaram a tal cena, mas, dessa vez, não usaram mais argumentos tais como "e se meus filhos verem" e coisa do tipo. Era tarde, crianças dormindo. Contudo, a imaginação será sempre fértil para se criar algo para denegrir o que se discorda. Pessoas ditas conservadoras sempre gritarão, pessoas que não possuem articulação com a cultura e a escolaridade e que só transam à noite, no escuro, para procriação, uma vez ao ano: fora disso, teremos pecado!

05 fevereiro, 2017

Fascismo no Brasil?

por Breno Lucano

É possível um comportamento fascista sem que haja fascistas de fato? Em outras palavras: é possível que, mesmo que não seja implantado uma estrutura política nitidamente fascista, ainda assim existam ações que a caracterizam? Disso não duvidamos.

Isso ocorre porque o fascismo possui, talvez como sua maior marca, a recusa pelo diálogo. A conversa não lhe agrada, não o satisfaz. Isso se torna nítido quando vemos quando a população batendo panelas. Ora, o bater panelas impede que se ouça o que o político quer dizer. Não se possui interesse em conversar, em debater idéias. Apenas bate-se panelas.

Entre os políticos isso também se torna evidente. Que se recorde dos que fizeram manifestações na Copa e nas Olimpíadas. Não há diálogo, elas são retiradas, são eliminadas.

27 janeiro, 2017

Tornar-se o que se é

por Breno Lucano

Enquanto um personagem na história da filosofia, Nietzsche normalmente é colocado como um divisor de águas, alguém capaz de dividir a história antes e depois dele. Assim o pensa Jaspers, já que, antes dele, tínhamos o conhece-te a ti mesmo socrático e, depois, a história se desemboca numa profunda insatisfação quanto à racionalidade e pela quebra das autoridades até então existentes.

Weber entende que o mundo onde nós existimos em termos de pensamento é um mundo cunhado pelas figuras de Marx e Nietzsche. Fato é que o filósofo estende sua figura para além da filosofia, abraçando campos como a literatura, poesia e belas artes, tornando, talvez, o mais famoso pensador alemão. A partir de sua obra aparentemente fragmentada, mas marcadamente vitalista, Nietzsche vê o filósofo como aquele capaz de construir sua própria morada num constante embate contra a moral.