Faustina, a Jovem

Por Breno Lucano


Filha do ilustre senador e quatuórviro Antonino e de Annia Galeria Faustina, conhecida como Faustina, a Velha ou Maior, Faustina, a Jovem nasce em 130, possivelmente em 16 de fevereiro. Esse mesmo ano é marcado pelo nascimento do futuro imperador Lúcio Vero e pela morte de Antínoo.



Como parte de seu plano de sucessão, Adriano adota, em 136, Lúcio Ceiônio Cômodo como seu filho, que assume o nome de Lúcio Aélio César. Marco Annio Vero, que fora eleito prefeito do festival de latim, conquista a toga viril – o que lhe proporciona amplos poderes civis – e noiva com Fábia, filha de Lúcio Aélio César, irmã de Lúcio Vero.

Dois anos depois, portanto em 138, acontecimentos importantes marcarão a trajetório biográfica de Faustina. No início deste ano, morre Lúcio Aélio César. Adriano toma, em janeiro, a decisão de adotar como filho e sucessor Antonino, que assume o nome de Titus Aelius Caesar Hadrianus Antoninus. Contudo, preocupado não apenas com sua sucessão, mas com a sucessão de sua sucessão, determina que Antonino adote o austero estudante de filosofia Marco Annio Vero, seu sobrinho, de 17 anos, e o filho do falecido Lúcio Aélio César, o pequeno Lúcio, de 8 anos. Para finalizar seus planos sucessórios, Adriano oferece Faustina, também de 8 anos, em casamento a Lúcio Vero em fevereiro. Feito isso, tendo Antonino como seu sucessor imediato, e Marco e Lúcio como sucessores de Antonino, Adriano parte para Baias, morrendo em julho.

Após assumir a púrpura, Antonino altera algumas medidas de seu pai adotivo. Cancela o noivado de Lúcio e Faustina e a entrega em casamento a Marco Annio Vero, agora Marco Aelio Aurélio Vero. Seu casamento oficial ocorre em 145: a noiva com 15 anos; o noivo, 24. O primeiro de seus muitos filhos nasce em 147, quando é proclamada Augusta. Temos à seguir a lista de seus numerosos filhos e as datas aproximadas de seus nascimentos e falecimentos:


* Ania Aurélia Galeria Faustina (151 - ?), casada com Cláudio Severo, cônsul em 173
* Domítia Faustina ( 147 – 151)
* Aelio Antonino (149 – 149)
* Aelio Aurélio (149 – 149)
* Ania Galeria Lucilla (150 – 182), casada com Lúcio Vero em 163 e Pompeiano em 169.
* Fadilla (159 - ?) , casada com Plautio Quintilo, cônsul em 177.
* Aélio Adriano (152 – 161)
* Cornifícia (160 – 213), casada com Sura Mamertinus
* Fulvo Aurélio Antonino (161 – 165)
* Lúcio Aurelio Cómodo ( 161 – 192)
* Anio Vero (162 – 169)
* Vibía Aurelia Sabina, casada com Antistio Burro (cônsul em 181).


Muitos e variados boatos foram feitos sobre Faustina. Fora notório seus casos de adultério, parecendo ter preferência por gladiadores. Diz-se até mesmo que seu filho L. Aurélio Cômodo fora fruto de uma de suas aventuras amorosas com um gladiador. Da mesma forma, fala-se de seu consentimento, quando em 175, Avídio Cássio se auto-proclamou imperador. Contudo, a História Augusta diz que, nesse momento, Faustina escreve uma carta a Marco:


“Virei à Vila de Albano amanhã, conforme sua recomendação. Insisto, mais uma vez, caso ame verdadeiramente seus filhos, que puna aqueles rebeldes com toda gravidade.”




Segundo a História Augusta, essas cartas demonstram – ao menos, ao que parece – que Faustina não possuía qualquer envolvimento com Cássio. Antes, incitava Marco a agir com gravidade.

Em todas as campanhas militares empreendidas sob Marco Aurélio, Faustina sempre se fez presente. Recebeu, por isso, o título de mater castrorum, mãe dos acampamentos.

Pacificada a Ásia, Marco e Faustina passam o inverno em 175-176 em Alexandria. Regressando à Europa por terra, passa por Síoria e Palestina. Ao chegar em Halala, perto da montanha Taurus, a imperatriz morre inesperadamente. A lenda diz que, considerando seus escândalos sexuais, o imperador, seguindo a tradição estóica, sugere o suicídio a Faustina. Solicitou ao Senado as honras divinas, criando a cidade de Faustinópolis e dedicando um templo ao seu culto. Suas cinzas foram depositadas no Mausoléu de Adriano.



Termas de Faustina, em Mileto, na Turquia:

















(Frigidarium)














(Caldarium)






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Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.