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Ideologia e Alienação

por Breno Lucano

Talvez a palavra mais usada atualmente, embora em termos bem vulgares, seja ideologia. Periódicos e as redes não cansam de falar em ideologia de gênero, ideologia marxista, ideologia feminista. Mas o que é ideologia?

O conceito de ideologia origina-se na obra  do iluminista Antoine Destutt de Tracy, autor do tratado Les élements de l'idéologie (1801-1807) e que pertenceu a um grupo de pensadores que incluía o filósofo Dégerando, o médico Cabanis e o matemático Condorcet, que passaram a ser conhecidos nesse período como "ideólogos" (idéologues). A proposta original era a de formular uma genealogia da idéia, decompondo o processo de formação das idéias no homem. Esse projeto foi influenciado pelo sensualismo de Condilac, em seu Tratado das Sensações (1754), que, por sua vez, inspira-se no empirismo de Locke. As teorias dos ideólogos era servir como fundamento para a educação, fornecendo em última análise as bases para a reforma da sociedade no sentido iluminista.

Flora Tristan, Operária e Feminista

por Breno Lucano

Para a compreensão do capitalismo, temos Marx. Mas também Flora Tristan. Nem tanto O Manifesto Comunista, mas Passeios por Londres, que possui um subtítulo propício: A Aristocracia e os Proletários Ingleses. A segunda edição, de 1842, será intitulada A Cidade Monstro, e começa com a seguinte dedicatória: "Para as classes operárias".

Operária, viajou pela Europa e Peru. Sexualmente brutalizada pelo marido, o abandona. Mas leva um tiro do amado rejeitado. Isso rende um processo que prepara a união dos trabalhadores explorados e sua constituição em "classe operária", invocando o fim da miséria dos povos.

Nosso Lar, a República de Chico Xavier


Por Breno  Lucano

Quando pensamos no paraíso mítico de algumas religiões, rapidamente temos uma visão idealizada, de um mundo fora do mundo. Os desejos não realizados numa sociedade historicamente constituída são transportados para um novo topos, como igualdade e respeito mútuo, bem como a eliminação da fome, solidão e exclusão. E Nosso Lar, a república elaborada por Chico Xavier, é o exemplo espírita mais comum.

A teoria política de Xavier possui, como em outros expoentes religiosos, natureza teocrática. No filme temos a emblemática figura do governador, interpretado por Othon Bastos. O personagem toma de forma caricata a figura do príncipe de Bossuet, embora peque por parecer mais interessado em passar lições morais.

Chico Xavier entende que, para ser o governador de uma colônia devidamente evoluída em termos morais - e levando em consideração os postulados espíritas - ele deve ser igualmente evoluído. Isso se torna explícito por seu fácil acesso, rápido, sem burocracia, a qualquer concidadã de Nosso Lar. Ele se curva, dá exemplos, como diz Emmanuel, e, por pouco, não lava os pés de André Luíz.

Vale ressaltar que para Xavier, tal como para Bossuet, o príncipe apenas se faz por vontade divina. Deus age por forças próprias e dispõe que apenas alguns - não todos! - possuem o direito de governar, estabelecendo nítida divisão social e hierarquias, como no mundo material.

Assim, a monarquia é o sistema adotado por Nosso Lar. Mas uma monarquia diferente da de Calígula ou outro monarca determinado pela história. Ele é especial, escolhido por Deus para uma divina missão: a de governar seu povo. Faz lembrar um pouco os reis cruzados, a exemplo de Balduíno IV e Luís IX.

Cristãos e o Ataque à Democracia

Por Breno Lucano

É lugar comum que o Brasil é um país democrático, direito assegurado pela Constituição de 88. Nesse regime de governo, há liberdade plena e nivelamento de igualdade entre todos os seus cidadãos. Não existem segmentos sociais que se sobrepõem, à força, sobre outros segmentos, impondo-lhes ideologias próprias. Pelo menos teoricamente...

Nos últimos meses, temos visto mais um deplorável exemplo de perversão desse regime. Com todas as forças, a ditadura gay - como os conservadores gostam de mencionar o movimento LGBT - ressurge como uma estrutura social que pretende conquistar direitos civis historicamente negados. A luta é árdua. Inesperadamente, em maio, o Supremo, guardião da Constituição, entende a união estável como direito legítimo de qualquer cidadão gay - importante passo em direção à democracia. Imediatamente, deputados evangélicos que desejam tornar o Brasil novamente um país clerical se organizam para formar a Frente Parlamentar em Defesa da Família, defendendo a família, a moral e os bons costumes, em nome de um tal crucificado. Conseguiram chantagear - sempre pensei que chantagem fosse pecado! - a presidência da república a vetar o material pedagóico que serveria como apoio a docentes no combate e prevenção do bullying nas escolas públicas. E foi anunciado na última semana que um deputado pastor - que certamente entende mais de bíblia que de democracia - requereu um plebiscito nas próximas eleições para que o povo decida sobre a legalidade do casamento. Nada mal para um pastor que afirma que a etnia negra foi formada por uma maldição de deus - sempre pensei que o crucificado falasse de inclusão.

Ética Materialista: Hedonismo de Misrahi

O parisiense anti-religioso Robert Misrahi (1926 - ), professor de filosofia na Sorbonne, escreveu um Tratado da Felicidade (1983), que pretende resgatar a grande esquecida de tantas éticas modernas complicadas: a felicidade.

Por que não falar de felicidade? Não é dela que falavam os antigos, desde Aristóteles, a eudaimonia? Felicidade na política, felicidade na empresa, felicidade e alegria na vida pessoal.