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Estoicismo de Mulher Maravilha 84


por Breno Lucano

Mulher Maravilha 84 é um filme  ímpar para o estoicismo,  pelo menos no que se refere à psicologia moral.  Mas não apenas ao estoicismo. 

Max Lord é um megaempresário da comunicação, algo como Donald Trump. Ele tem acesso a uma pedra mágica esculpida pelos deuses capaz de realizar desejos. A ideia da realização dos desejos já é bem batida no cinema e até mesmo Aladin, da Disney, trabalha essa premissa. Mas em Mulher Maravilha 84 o aspecto trágico e estoico recai bem num roteiro bem escrito e com boas ações.

Mas voltemos a Max Lord. O empresário usurpa para si os poderes da pedra e ele próprio é capaz de ser uma pedra mágica. Ele se torna um gênio capaz de realizar qualquer desejo. E aqui principia a discussão reflexiva. 

Análise da Série Lucifer

                                                                              por 
Breno Lucano

Lucifer é uma daquelas séries da Netflix que possui algo a nos dizer em termos filosóficos. E esse dizer não se restringe à filosofia da religião, mas à ontologia e a ética. Assim, devemos fazer a seguinte pergunta: qual a ética de Lucifer?

Michel Onfray pode ns ajudar a contextualizar e contornar o personagem da Vertigo. Seu famoso Tratado de Ateologia nos dá a dica: em oposição a um pensamento francamente transcendente, o autor francês constitui uma filosofia corpórea e sensual. 

Lucifer parece se encaminhar nessa direção. Temos um personagem manipulador, envolvente, que estimula as pulsões e aflora os apetites. Os desejos devem ser respeitados, em oposição a um SUPEREGO que nada tem a dizer aos homens. O ID envolve toda a antropologia que realmente importa ao senhor das trevas. 

O corpo é a única entidade existente, ainda que Lucifer seja uma entidade essencialmente transcendente. E ele é tão corpóreo que perde sua imortalidade. Passa a viver entre os homens e os estimula aos excessos, embora essa não seja exatamente uma abordagem onfrayriana. Os excessos, cada um deles, devem ser vividos,desfrutados, fruidos. E vivenciados porque justamente corpóreos.

Lucifer é um personagem do sensualismo. Cores, sabores, odores, contornos, tudo quanto dizer respeito ao corpo e suas conformações lhe dirá respeito. Em oposição, temos seu irmão angelical que a todo custo tenta persuadir Lucifer a retornar ao Inferno, seu lugar cosmológico. 

Amenadiel tem outra antropologia. Personagem sério, sisudo, envolto com as preocupações de seu Pai e O obedece em tudo. Noutras palavras, outra face de Lucifer. Seu oposto. 

Lucifer é o personagem do riso. Sempre sorridente, demonstra a alegria de viver, de se fazer no mundo, de circunscrever sua história entre os mortais. Segundo Onfray, de se fazer afronta ao sobrenatural, sempre enraigado de culpa, desejos reprimidos e do imperativo do "não". Lucifer é, em última análise, o personagem do "sim".


Motel Bates e Freddie Highmore

por Breno Lucano

MOTEL BATES é uma série rica em termos de análises psicológicas. Claro, todos conhecem Norman Bates do filme Psicose, de Alfred Hitchcock. Mas imaginá-lo ainda adolescente, interpretado por Freddie Highmore, em situações sociais onde sua doença mental se agrava a cada dia num ambiente hostil é algo de outra magnitude. 

Norman possui uma relação de amor e ódio com sua mãe manipuladora. Em alguns momentos ele chega mesmo a ter uma explosão de fúria para, momentos depois, se desculpar e afirmar que a mãe é muito importante para ele. Amor filial se confunde com amor sexual inconsciente e, alguns casos, até mesmo consciente. 

Seus apagões característicos do transtorno de comportamento dissociativo são cada vez mais visíveis. Seu amor por sua mãe é tanto que ele mesmo assume sua identidade. Especialmente após a morte da mãe, Norma entra em estágio de negação e desenterra a mãe. Como se estivesse num útero, protegido, acalentado, afagado pela presença protetora da mãe, Norman se recusa a aceitar que terá que seguir a vida sozinho, afastado de Norma. 

Vis a Vis e Seu Significado

por Breno Lucano

Vis a Vis é uma série espanhola criada por Alex Pina, o mesmo criador de outro fenômeno espanhol chamado La Casa de Papel (clique aqui e veja nossa análise sobre esta série), tendo aproveitado duas atrizes, Alba Flores e Najwa Nimri. 

Macarena é envolvida num esquema de corrupção no mercado financeiro e é sentenciada à prisão, onde conhece a realidade prisional - pelo menos, a da Espanha! Se submete ao abuso de poder dos funcionários do presídio, especialmente Valbuena, e, ao mesmo tempo, tenta se livrar dos meandros que outras detentas a envolvem, como tráfico de drogas, agressões físicas e morais, estupro pelo médico do presídio. Ao mesmo tempo, conhece o drama de cama uma das mulheres que lá habitam, suas dores e históricos que a conduziram ao Presídio Cruz do Sul. 

Pensar em Vis a Vis está para além da abordagem de Foucault. Sentimos um frio na barriga quando vemos como os que destoam da epistême são tratados, de que modo a microfísica do poder é encenado. Os abusos de poder são evidentes. Mas também vemos massiva tentativa de dominação dos corpos: não se pode tocar nas visitas, tem horários para comer, dormir, trabalhar. 

Análise de La Casa de Papel

por Breno Lucano

La Casa de Papel é uma daquelas séries de suspense que te prende a atenção do início ao fim. Criada em 2017 por Álex Pina e estrelada por Úrsula Corberó, Álvaro Morte, entre outros. Vencedor do Emmy de melhor série dramática, teve boas críticas.

A série narra um assalto épico num local absolutamente protegido contra qualquer ameaça: a casa da moeda da Espanha. Um grupo de oito assaltantes, com as mais diversas especialidades (como falsificador de documentos, perito em explosivos e em armas de guerra e um trabalhador de usina), é supervisionado por uma mente brilhante e misteriosa com o nome de Professor. O Professor indaga que cada um adote um nome de uma cidade, para que seus nomes nunca fossem revelados. Assim, nasce Berlin (o hedonista chefe do grupo), Tóquio, Nairóbi, Denver, Rio, Moscow, Oslo e Helsinki.

Lex Luthor e Existencialismo

Jesse Eisenberg como Lex Luthor
É provável que atualmente o existencialismo seja a corrente mais popular, dada suas próprias características e sua penetrabilidade na sociedade pós-industrial. Todos acreditam que devemos viver uma vida autêntica, o que significa que devemos enfrentar algumas incertezas num mundo incerto. Essas incertezas podem variar desde a não-existência de Deus até a relativização dos valores.

Muitas tramas nas revistas em quadrinhos representam Lex Luthor como seguidor do existencialismo por rejeitar idéias de sociedade e por ser autônomo e independente. Essas idéias são muito contundentes em Superman: Secret Origin (2009-2010) e Lex Luthor: Man of Steel (2005). Em Superman: Secret Origin, Luthor, trabalha em seu laboratório quando recebe uma ligação da polícia dizendo que seu pai milagrosamente sobreviveu a um acidente. E Lex responde simplesmente:

Merlí



Merlí é uma série catalã produzida por Héctor Lozano e que traz Francesc Orella como protagonista. Francamente inspirada em Sociedade dos Poetas Mortos, Orella faz um professor de filosofia do ensino médio pouco convencional e apaixonante.

Supergirl Temporada 2

por Breno Lucano

Não raro a ficção coaduna com a realidade. E com as histórias em quadrinhos não poderia ser diferente. Os fans da série Supergirl presenciam um dilema que aparece também no filme Batman vs Superman: os alienígenas estão entre nós e são muito, muito perigosos. Suas capacidades são quase ilimitadas e, porque não, divinas. Basta recordar Superman. São capazes de levantar prédios, voar à velocidade da luz, possuem visão de raio-x e super velocidade; não adoecem nunca e possuem sempre o ar probo e estão necessariamente à serviço do bem e da ordem, alavancando a humanidade ao desenvolvimento. É nisso que Kal-El pensa, é nisso que Kara Zor-El pensa.

Mas o que aconteceria se nem todos os alienígenas fossem assim tão bonzinhos? E se tivéssemos, por contraposição ao Caçador de Marte um Marciano Branco? Nem sempre general Zod foi mau e ele acredita realmente estar fazendo um bem ao tentar restabelecer uma nova Krypton na Terra. Krypton precisa renascer.

Divaldo Franco e Filosofia

Guilherme Lobo e Divaldo Franco
por Breno Lucano

Um bom filme que entrou em cartaz atualmente é Divaldo, Mensageiro da Paz. Trata-se da cine-biografia de Divaldo Pereira Franco, famoso médium do meio espírita, com várias dezenas de livros publicados e vasta obra social na Bahia. Interpretado por Bruno Garcia e Guilherme Lobo em diferentes fases da vida de Divaldo.

Como disse, bom filme. Mas que merece reflexões.

Permeado com pensamentos espíritas, embora não tão clichê em termos de propagação de uma pretendida fé que muito mais parece católica que espírita, como ocorre no filme de Chico Xavier. Mostra um Divaldo esquizofrênico, não sabendo diferenciar realidade (o mundo material) do místico-religioso (o mundo dos espíritos). Ocupa-se dos espíritos da mesma forma que com os vivos, como se todos estivessem envoltos com o mesmo nível de realidade.

Uma Noite de Crime e Filosofia

por Breno Lucano

Criado por James DeMonaco em 2013, a franquia Uma Noite de Crime chega em seu apogeu com a quarta e última continuação: A Primeira Noite de Crime. A franquia abre lacunas reflexivas na política e na ética com sua tese central. Imagine que uma vez por ano, por doze horas, todo crime será permitido, inclusive homicídio. Não haverá policiamento, nem risco de prisão. Tudo o que a vontade e o desejo quiserem será permitido, tendo a imaginação como único limite.

No decorrer da franquia os filmes ganham cada vez mais teor político, com a disputa de grupos rivais no Congresso Americano lutando pela sanção das doze horas, chamada de Noite do Expurgo. O Expurgo se configura como aquele momento único em que o instinto pode ser aflorado, a raiva vai à toma, toda sua frustração pode ser expurgada, suas vontades - antes contidas - agora podem se voltar contra seus desafetos. E o Expurgo é um bem social porquanto reduz a criminalidade, elimina da sociedade elementos que seriam um entrave para si mesma, indivíduos que dependeriam do Estado passam a não depender mais.

Por Trás da Máscara e a Filosofia

Cartaz do filme
por Breno Lucano

Muitos filmes de horror são bons apenas para dar bons sustos entre uma machadada e outra. Alguns são bem ruins nesse quesito, concordo. Contudo, há um bem inteligente que possui reflexões filosóficas que valem à pena. Trata-se de Por Trás da Máscara: O Surgimento de Leslie Vernon. Lançado em 2006 e estrelado pelo pouco conhecido Nathan Baesel com participação especial de Robert Englund, ator consagrado com mais de sessenta filmes no currículo, sendo Hora do Pesadelo o mais famoso.

Nesse filme os serial killers Freddy Krueger, Jason Voorhees e Michael Myers não são personagens. Tratam-se de assassinos reais, consagrados pela criminologia, ídolos que inspiram outros assassinos, entre os quais Leslie Vernon. O filme se passe sob a perspectiva do psicopata, seus planos, sua articulação, elabora seu modus operandi e reflete sobre o que vai acontecer quando ele atacar a vítma. Isso é uma inovação no cinema do horror em que a vítma é o núcleo dramatúrgico e o assassino apenas aparece, mata e vai embora. Pouco se sabe sobre ele. Aqui é diferente. Uma jornalista conhece Leslie e passa a conviver com ele, aprendendo sobre a personalidade, suas perspectivas, sua visão de mundo e como pretende operar no último momento.

Gladiador e Filosofia

por Breno Lucano

Gladiador foi, seguramente, um dos filmes que mais marcou minhas reflexões filosóficas e que me influenciou desde o início, impelindo-me para a investigação dos meandros estóicos e, de modo muito particular, ao universo de Marco Aurélio. Isso fez com que, em 2005, criasse o Portal Veritas como forma de publicar textos à respeito do Imperador e de seu pensamento, algo que preservo ainda hoje à partir da coluna com seu nome.

Escrevi já bastante coisa sobre Marco Aurélio, onde destaco os textos Marcus Aurelius, Homem, Filósofo e Guerreiro e As Meditações de Marcus Aurelius. Mas o filme nos confere já algumas reflexões, apesar de suas limitações. A grandiosidade da produção é um show à parte, que garante um bom entretenimento.

Mulher Maravilha e a Filosofia

por Breno Lucano

Um dos filmes mais esperados de 2017 foi Mulher Maravilha, protagonizado por Gal Gadot, heroína precursora do feminismo nos quadrinhos e, seguramente, uma das mais influentes na cultura pop. Sua interferência na filosofia é ainda mais nítida do que a do Superman em face de sua própria criação em 1941 por Willian Moulton Marston, psicólogo famoso pela criação do polígrafo.

Diana provém de Themyscira, uma ilha paradisíaca que, de certo modo, se assemelha ao Paraíso dos hebreus, um lugar de bem-aventuranças e constante felicidade. Mas Themyscira também é a última esperança de Zeus no confronto contra Ares, seu belicoso filho. Suas habitantes, as amazonas, são uma raça semi-divina de mulheres que possuem a guerra como única salvação. Mas não se trata de qualquer guerra, mas uma guerra contra o próprio Ares. Nesse panorama surge a filha da rainha Hipólita, princesa Diana, criada do barro a partir do sopro de Zeus.

X-Men e o Bem

por Breno Lucano

Para todo e qualquer leitor de histórias em quadrinhos a pergunta fundamental é: porque os heróis são bons? Vemos o Superman salvando a humanidade, o Hulk sendo perseguido pelo exército, a Mulher Maravilha saindo de Themyscira para ajudar o mundo em guerra. Eles poderiam não ter escolhido esse destino. Poderíamos pensar, por exemplo, o Professor Xavier como um simples professor ou o Lanterna Verde apenas como mais um guardião, distante e desconhecido da Terra. Mas escolheram nos proteger. Por que?

Uma hipótese é que eles são motivados a serem bons por uma convicção de que esse tipo de escolha é o maio mais apropriado para garantir a tolerância e a aceitação entre as pessoas. Assim, sendo "o ser bom" possui conotação de cálculo estratégico e político, um meio de se alcançar um fim desejado. O objetivo de ser bom não é ser bom, mas a aceitação e a sociedade justa.

Sexo Gay na Novela

por Breno Lucano

Em 2016 a Rede Globo finalmente colocou, mesmo que às 23: 00 h, na novela Liberdade, Liberdade, uma cena de sexo entre homens. Em várias outras produções, mesmo que implicitamente, o sexo foi dramaturgicamente construído, mas nunca com o mesmo tom de Liberdade, Liberdade.

Como sempre, grupos conservadores denunciaram a tal cena, mas, dessa vez, não usaram mais argumentos tais como "e se meus filhos verem" e coisa do tipo. Era tarde, crianças dormindo. Contudo, a imaginação será sempre fértil para se criar algo para denegrir o que se discorda. Pessoas ditas conservadoras sempre gritarão, pessoas que não possuem articulação com a cultura e a escolaridade e que só transam à noite, no escuro, para procriação, uma vez ao ano: fora disso, teremos pecado!

Bicho de Sete Cabeças e a Filosofia

por Breno Lucano

Interpretado por Rodrigo Santoro, Bicho de Sete Cabeças é um daqueles filmes que não se pode esquecer quando se pensa em Foucault. Nele, um jovem chamado Neto, vivido na vida real por Astregésilo Carrano, possui uma vida como a de qualquer jovem de sua idade. Rebelde, talvez; dava um teco aqui e outro lá. Possuía relação difícil com seu pai. Aliás, muito difícil. Um incompreendido. Mas qual adolescente não o é? Mas seu pai fez desse comportamento um bicho-de-sete-cabeças e o internou num manicômio. Afinal, lá é o local onde se trata dependentes químicos ou mesmo quem apenas dá um teco eventualmente. É isso o que se pensa ainda hoje. E Neto, então, conhece o inferno na Terra quando se depara com a realidade manicomial. Eletroconvulsoterapias, drogas neurolépticas para dopar, descaso dos médicos, maus tratos do corpo de enfermagem, doentes andando nus, jogados pelos cantos à procura de cigarro, perda de todo e qualquer vestígio de privacidade e de algo que se possa chamar de seu.

Supernatural e a Questão do Mal

Cartaz da série
por Breno Lucano

Criada em 2005 por Eric Kripke e estrelada por Jared Padalecki e Jensen Ackles, Supernatural é uma série de horror urbano onde dois irmãos se vêem às voltas com um mundo pouco convencional, repleto de monstros, fantasmas, demônios, criaturas do abismo, onde sua única razão de viver é sobreviver e expulsar tais criaturas da Terra. Mas, ora, num mundo assim, tão diabólico, o mocinho principal, Deus, deve existir. Certo?

Após anos caçando monstros, Dean parece não ter tanta certeza. Mesmo tendo passado pelo Paraíso, Inferno, Purgatório, ainda não tem certeza. Quais outras evidências seriam necessárias para a existência de Deus? Vejamos.

Para salvar a alma de Sam, Dean faz um pacto com um demônio e, por isso, é tragado para o Inferno no fim da terceira temporada. Mas logo na quarta, no início, temos ele sendo puxado do Inferno por um anjo. Mesmo assim, Dean se recusa a acreditar em Deus e o seguinte diálogo é traçado:

Quarteto Fantástico e a Filosofia: Dilemas de Galactus

por Breno Lucano

Galactus e o Surfista Prateado
Os quatro membros do Quarteto Fantástico são heróis problemáticos. Mas todos trabalham em conjunto com o intuito de contornar esses problemas e - nas palavras de Ben - "usar seu poder para ajudar a humanidade". No Universo Marvel, essa resolução conjunta de problemas se torna extremamente necessária porque os vilões surgem o tempo todo e ameaçam a vida de pessoas comuns. Mas pensemos num personagem surgido na edição #48, Galactus.

A Marvel cria um ser extremo, além do Bem e do Mal, e que sobrevive e reabastece seu poder consumindo planetas inteiros. Repentinamente, surge o Vigia Surfista Prateado na imensidão do cosmo e se direciona à Terra para avisá-la de que este será o próximo planeta a ser consumido por Galactus. Ao se aproximar, Galactus tem o seguinte diálogo com o Vigia:

Filme Porno na Praia, Pode?

por Breno Lucano

Alguns, como eu, gostam de passar uma bela tarde caminhando à beira da praia, especialmente se deserta. E eis que, alguns metros à frente, nos deparamos com um set de filmagem. Mas não se trata de um filme de drama ou uma aventura; antes, um filme adulto. O ocorrido se deu na praia do Recreio dos Bandeirantes, na cidade do Rio. A notícia se espalhou em vários sites de notícias, como o do G1 (clique aqui e veja).

E o que parecia um simples passei se transfigura numa chuva de opiniões, muitas das quais de teor pouco amistosa. "É um absurdo!", dirão alguns. "E se houvesse crianças...", indagarão outros. Mas de que forma poderíamos traçar uma investigação filosófica sobre o tema?

Superman e Filosofia

por Breno Lucano



"Meu pai acreditava que se o mundo descobrisse o que sou... eles me rejeitariam. Ele estava convencido de que o mundo não estava pronto. O que você acha?" 

- Superman




Por que ser bom? Por que se submeter a um código moral, qualquer que seja, quando se pode criar seu próprio código? Essas são perguntas que me faço há pelo menos dez anos. Ainda não tenho respostas.

Superman se insere nesse círculo de indagações de forma única e inequalável. No longa Homem de Aço, Jor-El explica que, em Krypton, todos nasciam com um papel determinado: alguns seriam militares, outros cientistas e líderes. Todo o destino das futuras crianças já estava determinado antes mesmo de nascerem. Foi o que ocorreu com Zod, que nascera para ser militar. Jor-El e Lara rompem com a tradição e, pela primeira vez em séculos, dão à luz de forma natural a uma criança. O elemento surpresa, dirá Jor-El, aquele instante em que cada um pode dar a si um rumo, aquele momento em que somos, finalmente, guiados por nossas próprias escolhas. Kal-El não estará mais sujeito a uma pré-determinação: ele mesmo se guiará, fará seu destino, será o escultor de si, edificará sua existência, como Zaratustra.