Elói de Pruystinck e a Inversão de São Paulo

por Breno Lucano

Estamos no século XVI. Os partidários do Livre Espírito  dão seus últimos suspiros com Elói de Pruystinck, que lê são Paulo a seu modo. Todos conhecem a famosa sentença "não fazer aos outros o que não quer que os outros o façam". Essa moral negativa necessitava de uma inversão, de vivacidade nova, construindo um imperativo categórico hedonista: fazer ao outro aquilo que esperamos que ele nos faça. Revolução radical!

Aqui se encontra a nobreza da idéia, pois que cada um quer fruir e nunca sofrer. De tal modo que, fazendo ao outro o que se espera para si, faz-se fruição e evitação da dor. Elói constrói dessa forma uma autêntica ética do júbilo.



A graça do Espírito Santo penetra todas as coisas, dizem os cristãos. Se assim o for, cada um desfrutará da vida eterna independente de seu comportamento. Inferno, danação e intempéries não existem porque a justiça e a misericórdia de Deus triunfam. Assim, nosso filósofo formula uma cosmologia determinista capaz de salvar o homem de toda culpa.

Moderno demais? Certamente. Em 1526 Elói é preso sob acusação de heresia. Em 1544 padece sob as fogueiras da inquisição. Mais um filósofo vítma do cristianismo...


Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.