Períodos da Filosofia Antiga

por Breno Lucano

É comum na historiografia filosófica antiga três grandes períodos que demarcam os diversos autores. O primeiro período se inicia com os pré-socráticos - também chamados de cosmológicos -, que principia com Tales de Mileto e finda com Sócrates de Atenas; o segundo, chamado de antropológico ou socrático, começa com Sócrates e os sofistas e vai até Aristóteles; e, finalmente, com o período helenístico, que vai do surgimento dos sistemas cosmopolitas (epicurismo, estoicismo, neoplatonismo e ceticismo) e se estende até o final do Império Romano.

Vale lembrar que esses períodos conservam alguma relação com os períodos históricos, mesmo que precariamente. Eles possuem função meramente cronológico e didática e não devem ser vinculados fielmente à história como a conhecemos, seja história arcaica, clássica e helenista. Servem, antes, apenas como categorias através do qual seja possível compreender melhor os diversos sistemas filosóficos.



Por outro lado, vamos lembrar que Hegel divide a filosofia antiga em três períodos. O primeiro período vai de Tales a Aristóteles, onde temos a filosofia grega propriamente dita. O segundo período demarca a filosofia greco-romana, dos pós-aristotélicos até o neoplatonismo. E o terceiro que compreende o neoplatonismo do século III da Era Comum.

Windelband lança mão de outra divisão, com dois grandes grupos. O primeiro é o da filosofia grega, que compreende três períodos: a) período cosmológico, dos pré-socráticos até 450 Antes da Era Comum; b) período antropológico, dos racionalistas gregos, sofistas, Sócrates e socráticos menores; e c) que compreende o sistemático, com Platão e Aristóteles. O segundo período compreende a filosofia helenístico-romana, que é subdividida em dois períodos: a) período das lutas entre as escolas pós-aristotélicas, marcadas por questões éticas, pelo ceticismo e pela erudição; e b) período do platonismo eclético, com a disputa entre o neoplatonismo e as doutrinas cristãs, a patrística, chegando ao século VI da Era Comum. Dez séculos ao todo!

A divisão estabelecida por Windelband mantém a tradição das outras histórias da filosofia, isto é, a filosofia pré-socrático é uma cosmologia ou física, tendo o mundo por preocupação. A filosofia do período socrático é uma antropologia, isto é, tem o homem como sua preocupação principal. Não podemos esquecer que, embora Platão e Aristóteles possuam questões cosmológicas envolvidas, o homem ocupa lugar central de suas reflexões.

Os historiadores de filosofia oferecem duas explicações para essa típica divisão entre os períodos. Argumentam que o período arcaico, quando surge a filosofia, os mitos começam a não mais propor explicações satisfatórias para o real e, assim, a filosofia começa a ocupar um espaço vazio, que antes era ocupado por esses mitos.

Mas algo muda no período clássico. Mudanças sociais, econômicas e políticas que consolidaram a pólis se tornam questionáveis e problemáticos e a tradição não mais oferece estabilidade a pólis. Poetas e antigos legisladores pertenciam a uma época passada, perdida nos tempos arcaicos, e não mais preenchiam as necessidades do homem grego. A partir de agora, idéias, valores, instituições e comportamentos éticos e políticos tomam o centro das preocupações filosóficas que faz do homem o principal objeto de investigação.

Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.