Diógenes Laértio

Nada se sabe com certeza a respeito de Diôgenes Laêrtios, e há dúvidas até sobre seu ome, que também aparece em alguns autores posteriores (Stêfanos e Bizântion e Fótios) como Laêrtios Diôgenes; os manuscritos apresentam essa segunda forma, e Eustátios usa simplesmente Laertes. Atualmente adota-se as duas formas, sendo Diôgenes Laêrtios a mais tradicional.



Quanto à sua época, admite-se com base em evidência confiável que ele teria vivido no século III, pois nosso autor menciona Sextos Empeiricôs e Saturninos (no Livro IX, 116), que viveram na parte final do século II. Por outro lado, Fótios (Biblioteca, Códex 161) diz que Sôpatros de Apamea (século IV), discípulo de Iâmblicos, citava em uma de suas obras trechos de Diôgenes Laertes.

Sendo assim, o autor das Vidas tê-las escrito nas primeiras décadas do século III e teria sido um contemporâneo mais novo de Luciano, Galeno, Filôstratos e Clemente de Alexandria, não muito distante de Apuleio e Atênaios. Há, entretanto, quem o ponha no século IV, com fundamentos também razoáveis.

As Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres não foram a única obra de Diôgenes Laêrtes. Antes de escrevê-las ele já havia publicado uma coletânea de epigramas de sua autoria intitulada Pammentros ("Todos os Metros"), citado no Livro I, 39. O Pammetros continha epitáfios e homens ilustres, e nosso autor introduziu generosamente em sua obra conservada esses epigramas, aliás sempre mediocres.

Com vistas às tendências filosóficas de Diôgenes Laertes, a julgar por uma menção no parágrafo 109 do Livro IX, ele teria sido um cético, pois se refere a Apolonides de Nicaia, adepto do cepticismo, como sendo "um dos nossos". Entretanto, considerando que a obra de nosso autor se compõe mais de transcrições que decontribuições originais, a referência pode ter sido reproduzida inadvertidamente de elogios fervorosos de Diôgenes Laêrtes a Epicuros, (Livro X, 9 e 18), sem indicar entretanto sua condições de adepto de Epicuros. Acresce que nosso autor não pode ter sido simultaneament cético e epicurista. Em suma, este biógrafo de filósofos não explicita em parte alguma da obra a pretensão de ter estudado filosofia e não dá demonstração segura (descartadas as duas mencionadas pouco acima, ambíguas pelas razões aduzidas) de ter pertencido a qualquer das escolas filosóficas a que alude.

Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.