Boécio e o Retorno a Deus

Como bem supremo, Deus não é somente a origem de tudo; ele é simultaneamente o alvo de todas as coisas (finis rerum, 3, 11, 41); pois tudo o que parte dele almeja retornar a ele outra vez. A realidade como um todo é - como no caso dos neoplatônicos - um ciclo permanente de procedência (processio) de Deus e retorno (conversio) a Deus (3, 12, 17). Retorno, todavia, significa regresso ao lar (3 c. 2, 34 ss). A força que atua nas coisas e promove esse regresso ao lar é o amor (amor, 4 c. 6, 47s). Se essa força não atuasse, a processio prosseguiria sempre mais, e as coisas se afastariam gradativamente de Deus, e, já que o distanciamento de Deus significa o mesmo que decadência do ser, elas no final se desfariam em nada. Unicamente pela conversio as coisas adquirem a sua duração.


BALTES, Mathias. Boécio. In:__ Filósofos da Antiguidade 2: Do Helenismo à Antiguidade Tardia. ERLER, Michael & GRAESER, Andreas, org. Editora Unissinos. São Leopoldo, RS: 2002. p. 289-290


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Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.