Dia do Orgulho Hétero no Rio - A Estória Se Repete!

Por Breno Lucano

Devemos - e que ninguém duvide! -  manifestar veemente repúdio aos últimos acontecimentos que violam as noções mais básicas de direitos humanos no Brasil. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela resolução 217 da Assembléia Geral da ONU em 1948, é explícita em seu artigo I: "Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade de direitos"; e em seu artigo II: "Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, ...".



Foi matéria no programa MAIS VOCÊ, da Rede Globo de Televisão, em 22/03/2012, um caso que repercutiu na imprensa brasileira. Em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, um adolescente de 15 anos foi agredido por um colega de aula por ser gay. Um educador da escola, que afirmara que a aula é democrática, nada fizera contra os insultos constantes no ambiente pedagógico. Com pensamento suicida, o adolescente escreveu para a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais - ABGLT: "... às vezes sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução para mim é que matar", desabafa com desespero o jovem que reflete os mesmos temores de muitos outros jovens espalhados pelo país e no exterior.

Alheio aos dramas pessoais de centenas de outros jovens, o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PP-RJ), filho do conhecido deputado federal Jair Bolsonaro, defende um projeto de lei municipal que cria o dia do orgulho heterossexual, à semelhança do que ocorreu em São Paulo . Também é de sua autoria o projeto de lei 1082/2011, já aprovado pela Câmara no final  do dia 23/03, que proíbe a distribuição de "qualquer tipo de material que contenha orientações sobre a prática de homoafetividade, de combate à homofobia, de direitos dos homossexuais, da desconstrução da heteronormatividade e qualquer assunto correlato" nas escolas da cidade. O projeto parte para sanção do prefeito Eduardo Paes.

Em outras palavras: além das 76 leis que excluem os direitos civis de LGBT no Brasil - algo que começa a mudar com a decisão do STF -, também proíbem que sejam trabalhados temas de combate à violência em nossas escolas -  o que poderia evitar o incidente em Santo Ângelo. Também não nos esqueçamos, é claro, do tratamento psicoterápico que pretende redirecionar LBGT à heterossexualidade e a declaração papal segundo o qual os gays são uma ameaça à humanidade.

Qualquer legislação ou prática que viole a Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser tratada como crime à humanidade, passível de punição. Os gays da atualidade, não há dúvida, possuem mais voz que outrora, mas ainda está muito aquém do que deveria ser, tendo em vista o sangue derramado, sobretudo, por espadas da ignorância e do medo.


Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.