Marcus Aurelius: Homem, Filosofo e Guerreiro

Por Breno de Magalhães Bastos



Estudando a herança das teorias e o legado dos antigos estóicos há vários anos, fui – como quase todos os que se interessam pelo tema – capturado pela leitura melancólica e serena do Imperador Marco Aurélio. Quando o li pela primeira vez, entre 2001 e 2002, logo me identifiquei com sua forma suave e cinscunspecta – algumas vezes demasiadamente rígida e até mesmo grosseira – de compreender e de viver filosofia, um comportamento muito comum na Antiguidade.


Há algum tempo fui convidado a fazer algumas incursões investigativas na filosofia cínica, através do qual eu poderia melhor me debruçar em Zenão de Cício e Ariston de Quios, de quem Marco Aurélio foi influenciado. Curiosamente, percebi que o movimento cínico perpassava todas as camadas populares de Roma, imprimindo hábitos e um novo modelo literário amplamente utilizado, as diatribes. Com muito entusiasmo vi um Marco que, sob alguns aspectos, era muito mais cínico que estóico, muito mais um asceta que desprezava a corporeidade, que um monarca que vivia com todo o fausto que a corte era capaz de proporcionar. A herança cínica de Marco se visualiza não apenas no modelo literário que utiliza em suas Meditações, mas toma para seu paradigmático modus vivendi seu despojamento tipicamente socrático e diogeniano. O ato de dormir no chão e o de dispensar escravos para muitos de seus afazeres devem ter sido o reflexo duradouro de seu primeiro professor de filosofia, Diogneto, e, de modo mais significativo, Rústico, que o apresentou ao programa ético de Epicteto, morto quando Marco ainda era criança.

Assim, este ensaio não possui a intenção de abordar suas Meditações, mas apresentar a biografia de um homem que viveu há 1800 anos. As datas aqui apresentadas podem variar em, no máximo, um ano, conforme as fontes utilizadas; é mais provável que as variações se tratem de meses, apenas. Duas fontes foram virtuais, motivo pelo qual não foram catalogadas na bibliografia do trabalho: a História Augusta, amplamente disponível em latim e em inglês, e Satrapa1, que, utilizando amplamente Dion Cássio, descreve com alguma minúncia as movimentações feitas por Marco Aurélio e Lúcio Vero no início das invasões bárbaras.

Não tive a intenção de escrever em detalhes sua vida: seriam necessárias dezenas de páginas, o que não se afinaria com o intuito do ensaio. Bastou-nos apenas transcrever – no início em estilo mais científico, informativo, e no final, em estilo mais poético – os feitos e a glória daquele que foi um dos maiores governantes que o gênero humano já conheceu. Um trabalho amplamente poético, no entanto, está sendo escrito neste momento, onde pretendo mergulhar na alma de um homem ao mesmo tempo suave e austero, triste e esperançoso. Procuro reconstruir, no futuro, um Marco Aurélio Antonino que não seja apenas um Imperador, um Filósofo, ou um Guerreiro, mas um homem que fez de Carnuto e do Danúbio seu refúgio espiritual. Um homem que, por amor à filosofia, marcou sua biografia se indagando pelo sentido da vida, além da paz que perseguiu, conquistou, e pelas quais sofreu, viveu e morreu.


Da Educação

Descendente da ilustre família dos Vero nasce Marco Aurélio no monte Célio, uma das sete colinas que circundam Roma, onde residiam muitos romanos importantes. Sua família alcançou o status senatorial quando seu avô, Marco Anio Vero, fora registrado entre os patrícios por Vespasiano, galgando três mandatos como cônsul e um como prefeito urbano. Seu pai, também Marco Anio Vero, falecera em 124, quando Marco Aurélio possuía apenas três anos. Com esse falecimento, fora adotado por seu bisavô materno, o respeitável ex-cônsul e senador Catilo Severo. Sua mãe, Domícia Lucilla, era proprietária de uma fábrica de tijolos em Roma, responsável pela construção de muitos prédios públicos, como o coliseu. É dito que fora “tão culta como aquelas mulheres da República que filosofavam com os homens; (…) insistiu que Marco falasse e escrevesse em grego, porque para ela a língua de Platão era o veículo mais adequado ao pensamento.” [1]

Domícia Lucilla participava ativamente da escolha de seus preceptores com Adriano, que parece tê-lo venerado desde cedo. Um de seus primeiros professores foi Diogneto, um filósofo estóico com fortes influências cínicas, que lhe ensinava pintura e rudimentos de filosofia.[2] A História Augusta cita outros professores, muitos dos quais nada sabemos senão seus nomes, como Euforion e Andron. Outros nomes são menos obscuros, como o de Herodes Ático.[3] Marco Cornélio Frontão fora outro professor conhecido do futuro príncipe. [4] A relação sempre cordial entre os dois é demonstrada em numerosas correspondências trocadas entre os anos 139 e 167, descobertas apenas na primeira metade do século XIX. Nessas cartas, Marco Aurélio é revelado de modo expressivamente emotivo e acentuam suas entrega definitiva à filosofia aos 25 anos, portanto em 146, sob influência de Ariston de Quios[5], aluno de Zenão de Cicio.

Muitos professores são citados pelo próprio Marco em suas Meditações. Alguns desses nomes não passam, mais uma vez, de fantasmas, através do qual pouco se sabe. Apolônio da Calcedônia[6] foi um destes, tornando-se seu professor em 140. Dele conta-se que, quando chamado por Marco pela primeira vez ao palácio imperial, exclamou que o mestre não deve ir de encontro ao aluno, mas o aluno ao mestre. Parece, todavia, que a maior parte da instrução filosófica tenha sido incumbida a Junio Rústico.[7]

Adriano o inscreveu, ainda, na Ordem Eqüestre aos seis anos e, aos oito, na confraria religiosa dos Salios. Esta fora uma das quatro confrarias – juntamente com os Arvales, Lupércios e Feciales – que circundavam o Colégio dos Pontífices nas celebrações de festas periódicas, além de realizarem ritos de paz e guerra em nome do povo romano. O pequeno Marco se paramentava à caráter para as festas com a rústica túnica carmim, a couraça e o manto bordado, característico dos Salios, executando as complexas danças rituais. Esses rituais terminavam com banquetes, onde se comia e bebia em demasia, algo impróprio para uma criança.


Tornando-se um Filósofo e Estadista

Em 136, quando completou 15 anos, se deu o início daquele que foi o período mais importante de sua vida. A aquisição da toga viril lhe garantia, segundo o direito romano, a maioridade civil. A partir de então, Marco Aurélio seria recebido oficialmente como homem nos banquetes, nas conferências, nos jogos e nas termas, sendo, portanto, um cidadão romano.

Naquele mesmo ano, Adriano adota como filho e sucessor Lúcio Ceiônio Cômodo, que assume o nome de Lúcio Élio César. Como forma de associar, mesmo que indiretamente, Marco ao poder, oferece a mãe da filha de Élio César, Fábia, em casamento.

Dois anos depois acontecimentos ainda mais significativos marcarão sua vida em definitivo. Em janeiro de 138, Adriano é pego de surpresa com a morte de Élio César. Seu olhar recai então para o digno senador Tito Antonino. Antonino, por sua vez, fora um dos colaboradores de Adriano, sendo um de seus quatuórviros, cônsul, governador da Ásia e integrante do Conselho do Príncipe. As diversas fontes dizem que a adoção de Antonino por Adriano fora efetuada mediante um acordo. Adriano desejava garantir não apenas sua sucessão, mas a sucessão de sua sucessão: quarenta anos de paz e prosperidade lhe sobreviveriam. Assim, em conformidade com seu desejo, Antonino toma por filhos e legítimos herdeiros Marco Aurélio – sobrinho de sua esposa Faustina Maior – e o filho de Élio César, Lúcio Vero: o primeiro tinha 17 anos; o segundo, apenas 8. Assim, Adriano viaja para baias, perto de Roma, onde falece em julho.

Uma das primeiras medidas tomadas por Antonino, enquanto Príncipe, foi a anulação do noivado de Marco com Fábia. Em substituição, a mão de Faustina Menor lhe fora oferecida. Esta era filha de Antonino e Faustina Maior, portanto sua própria prima. Assim, seu casamento foi uma forma encontrada de uni-lo em definitivo à família imperial.

Marco Aurélio é nomeado César em 139, o que o assegura oficialmente como sucessor. Esse ano também é marcado pelo falecimento e deificação da imperatriz Faustina e pela impetração do título Pai da Pátria conferido a Antonino pelo Senado.

No ano do segundo consulado de Marco, ocorre seu casamento com Faustina Menor. Marino comenta que Faustina não estava à altura de ser a próxima imperatriz e que, embora “Marco mostrasse um amor desmedido por ela, (…) a ausência de decoro de Faustina se fez célebre, e seus relacionamentos com gladiadores foram a comédia da corte imperial.”[8]

Se Adriano fora o Príncipe peregrino, Antonino jamais saiu da Itália. Sua política não fora caracterizada pela expansão territorial, mas de consolidação. Suas ações foram, desde o início, de unificação e harmonia entre o Senado e o Principado. A dissolução dos Juízes Itinerantes foi uma medida tomada por Antonino com o objetivo de estabelecer boas relações com os patrícios. Lissner recorda que estes foram os anos mais felizes do império, citando a famosa afirmação de Edward Gibbon de que a época dos Antoninos foi a mais afortunada da espécie humana. Lissner continua dizendo que “Ernest Kornemann, historiador alemão, pensava, em contraposição, que o reinado de Antonino foi um desencadeado de negligencias que precipitou o declínio do Império. De certo, no norte, os germanos aumentavam seu poder, bem como os partas a leste.”[9]

Com o passar dos anos, a relação entre Marco e Antonino se tornavam gradativamente mais amistosa. A História Augusta revela que, em todos os anos que se seguiram à sua adoção, Marco passava longas horas de conversa, à noite, com seu pai. Seja no Palácio de Tibério, no Palatino, ou em suas propriedades rurais, na Campânia, Antonino empreendeu esforços a educar seu filho e a conscientizá-lo sobre o significado do cargo que ocuparia um dia. E foi nesses ambientes, no Palatino e nas fazendas, que Marco prosseguiu em sua carreira pública e em seus estudos de filosofia. Em nenhum momento se esqueceu que seria Príncipe no futuro e, enquanto Príncipe, deveria lhe “bastar tão somente atravessar dignamente o curto espaço de tempo que lhe fora concedido.”[10]


Marco Aurélio Antonino Augusto

Embora Lúcio Vero fosse igualmente seu filho, segundo o desejo de Adriano, Antonino nunca o concedeu o titulo de César. Esse singular fato atesta sua intenção de afastá-lo do poder. Aparentemente, Vero, nove anos mais novo que Marco, deveria passar pela regência de seu irmão como um aluno, onde deveria ser devidamente instruído para assumir a sucessão. Tal hipótese parece verossímil se pensarmos que todos os príncipes da dinastia dos Antoninos apenas alcançaram o poder com idade mais avançada.

Entretanto, Marco amava verdadeiramente seu irmão-adotivo. Tal afeição fora atestada quando, no momento do falecimento de Antonino, chama Vero e, formalmente, lhe atribui o título específico do governante, Augusto. Equanimidade: essa foi a última exortação de Antonino, já moribundo, ao novo Augusto. Sua vida inteira fora traçada em busca da divisão de poder.

Com seu professor peripatético Cláudio Severo, Marco Aurélio Antonino Augusto aprende algo verdadeiramente inovador no campo da política, agradecendo aos deuses por “ter concebido a idéia de um Estado com leis iguais para todos, assegurando igualdade aos cidadãos e seus direitos. Conceber uma realeza que respeite, acima de tudo, a liberdade de seus súditos.”[11]

Quanto a essa indicação contida em Meditações, e considerando ainda as características fundamentais do governo do novo imperador, Dalfen recorda que os “historiadores confirmam que a regência de Marco Aurélio tinha traços republicanos e que na jurisprudência ele tinha em alta consideração a liberdade pessoal como princípio.”[12]

Marco Aurélio era mais do que consciente da época de ouro em que vivia e porquê deveria lutar e defender: uma civilização ecumênica, extensa e que englobava vários povos, e, ao mesmo tempo, ambiciosa; uma civilização que a dinastia hispânica dos Antoninos havia unificado, ampliado e pacificado com a utilização das armas e da razão.

Em seus 19 anos de governo, a História Augusta cita várias medidas tomadas pelo imperador quanto ao Estado. Registrou vários homens na Ordem Senatorial, mas apenas aqueles a que ele conhecia pessoalmente; há muitos conferiu o posto de tribuno[13] ou edil[14]. Tinha excessivo cuidado nas despesas públicas. Planejou muitas medidas sábias para o povo, chegando a suprir, na época da fome, toda a Itália com o abastecimento de Roma. Finalmente, limitou os jogos de gladiadores.


Guerra Partiana

Tão logo Marco Aurélio e Lúcio Vero vestiram a púrpura imperial, o Império Parta invade o território romano. Vologésio III, rei parta, ameaçava invadir Roma sob Antonino, mas fora dissuadido de fazê-lo pelo Príncipe. Mas agora, em 161, momento em que Roma estaria pressupostamente mais enfraquecida em razão da sucessão, era o momento mais apropriado para a invasão.

Desejando recuperar a Armênia do domínio romano e empossar seu próprio rei-cliente, Vologésio divide suas tropas em dois grandes corpos. O primeiro invade a Armênia, sob o comando do general Cosroes, e entroniza o soberano Pacoro, leal a Vologésio. O segundo exército foi enviado à Síria, derrotando o governador romano Atidio Corneliano. A Legião VIII Hispana fora totalmente destruída.

Combinaram os irmãos imperiais que Marco Aurélio permaneceria em Roma, na qualidade de Chefe de Governo, e Lúcio Vero se encaminharia ao leste, como Chefe de Estado, para defender as fronteiras ameaçadas. Esse acordo, devidamente sancionado pelo Senado, fez com que Vero, em 162, viajasse para a Síria. Fez, contudo, uma escala, na primavera daquele ano, em Atenas, onde se iniciou nos Mistérios Eleusinos.

Acompanhado por três dos maiores generais de Roma, Statio Prisco, Avidio Cássio e Martio Vero, recupera, um ano depois, as terras perdidas e adentram o território da Mesopotâmia, rumo à capital parta, Ctesiphon. Essa vitória sobre os bárbaros foi plenamente comemorada pela população e pelo Senado, que conferem a Marco Aurélio e a Lúcio Vero os títulos de Armênico, Pártico e Médico.

Durante todos os cinco anos de duração da guerra, Vero passou seus invernos em Laodicéa, seus verões em Daphne, e o restante do tempo em Antioquia, onde se entregou a todo tipo de excessos. Ao que parece, Vero, embora desfrutasse de alguns dos melhores tutores de seu tempo, e participando da rígida educação estóica proeminente na corte, viu na guerra uma oportunidade de se afastar de um ambiente hostil ao seu temperamento. Assim, participava de tudo que um príncipe poderia usufruir numa cidade como Antioquia. Foram famosos seus jogos gladiatoriais, seus intermináveis banquetes, sua paixão pelos belos rapazes. Em todos esses jogos e brincadeiras era necessariamente acompanhado de homens de reputação duvidosa e por vários libertos, entre os quais Ecleto. A História Augusta, na Vita de Lucius Verus, recorda do momento em que Lucilla, filha de Marco Aurélio, fora lhe dada em casamento, em 163: Vero viajou para Éfeso, onde se casa, afim de que Marco não tivesse conhecimento de seu comportamento na Síria. Era muito pouco provável, para não dizer quase impossível, que, em Roma, Marco não tivesse notícias dos escândalos de seu irmão. Seja como for, não a Vero, mas aos generais, especialmente Avídio Cássio, os partos foram vencidos.

O regresso de Vero à Roma foi celebrado com um triunfo. Dizem as fontes que os filhos de Marco participaram do desfile com seu pai, assim como Faustina. É provável que Lucilla também tenha participado do desfile com sua filha, Aurélia Lucilla, nascida naquele mesmo ano, 166. Entretanto, a felicidade generalizada duraria pouco. Muito em breve, distúrbios de graves proporções perturbariam os ânimos dos príncipes e desencadeariam mais de dez anos de guerras nas províncias do norte.


Império em Luta

Não é possível precisar exatamente o momento em que as incursões começaram. Apenas é sabido que, em 166, uma confederação de nações germanas, composta por marcomanos, hermunduros, quados, naristos, victuales, entre outras, lançaram os primeiros ataques ao longo de toda a linha fronteiriça do Danúbio. A primeira cidade assediada, Brigetio, na Panônia Superior, foi defendida pela Legião I Adiutrix, que regressava da Síria para seu aquartelamento. Mas esse foi apenas o início dos ataques; em setembro, marcomanos e victuales lançaram um segundo e grandioso ataque. As débeis guarnições romanas nada puderam fazer. Suas fortificações foram destruídas e, finalmente, os germanos atravessaram o Danúbio e chegam à Cisalpina.

A situação era desesperadora. As províncias da Rétia e Nórico foram quase completamente invadidas. A última vez que terrenos da Itália foram invadidos datava 250 anos atrás, o que levou Mário a expulsar os estrangeiros címbrios e teutões em longas campanhas. Face ao perigo, os imperadores ordenavam que se “fizessem orações públicas aos deuses pela salvação do império”.[15]

O ano do terceiro consulado de Lúcio Vero, 167, foi marcado pela derrota e morte de Vitorino, prefeito do pretório, na Cisalpina. Seu exército fora quase totalmente destruído. Vétio Sabiniano, legado da Legião XIV Gemina, chega à Roma, vindo da Panônia. Parte para o norte com Marco Aurélio e Lúcio Vero, com outras três legiões: I Adiutrix, X Gemina e II Adiutrix.

Invernando em Aquiléia, os irmãos imperiais se preparavam para a ofensiva romana. Entretanto, boa parte da vida de Marco se passa em Carnuto. Essa cidade, sede da Legião XIV Gemina, se torna o centro do poder romano. De lá Marco Aurélio governava o amplo império que se estendia por três continentes e, em conjunto com seus generais, tomava todas as medidas cabíveis a um Chefe de Estado.[16]

Os preparativos para o grande enfrentamento prosseguiram em 168. Afastados os germanos da Cisalpina, era necessário maior segurança para o território da Itália. O Tesouro do Estado, contudo, estava em ruínas; grande parte dos recursos foram utilizados na guerra contra os partos. Viu-se Marco Aurélio num dilema: o que fazer? “Mandou reunir tudo o que havia de mais precioso em seus diversos palácios: estátuas, vasos, quadros de mestres; depois, sua baixela de ouro e prata, taças de cristal, grande quantidade de diamantes, de rubis, todas as espécies de raridades que lhe tinham vindo da coleção de Adriano. Por seu turno, a imperatriz doou seus mantos de púrpura, seus vestidos de seda bordados a ouro, seus colares de pérolas e jóias. Tudo foi levado ao Fórum de Trajano e posto em leilão. Era tão grande a quantidade de objetos valiosos que o leilão durou três meses”.[17] Com o dinheiro arrecadado, Marco formou duas novas legiões: II e III Itálica. Formada por gladiadores, escravos e homens livres alistados, foram confiadas ao comando de Q. Antistio Advento, que recebeu o título de legatus augusti at praenturam italiae et alpium. A II Itálica foi instalada na cidade de Celéia; a III Itálica, em Tridentum. Ambas defenderiam, apartir dali, o território italiano.

Os ataques romanos iniciaram efetivamente em 169. Sexto Calpurnio Agrícola consegue estabelecer a paz na Dácia e na Mésia Superior; Pertinax, por sua vez, consegue impor o poderia romano na Rétia e Nórico. Com estes felizes sucessos, Vero resolve regressar a Roma com seu irmão. No caminho, Vero sofre de apoplexia em sua carruagem, falecendo três dias depois, sendo incapaz, inclusive, de falar. A cidade, Altino; o mês, provavelmente, janeiro.

Inicia-se, portanto, um período crucial na vida de Marco Aurélio. O falecimento de Lúcio Vero, aos 38 anos, dos quais 8 enquanto Augusto, foi o momento decisivo em que Marco, agora único Príncipe, deveria conduzir seu povo nos momentos mais difíceis do século II. Começavam ali os longos períodos de insônia à noite, de cansaço físico e desilusão que o levariam, alguns anos mais tarde, a filosofar, a refletir, a escrever suas famosas meditações em Carnuto, no absoluto silêncio da inóspita floresta germânica, à margem do Danúbio.

Marco Aurélio, em Roma, faz as exéquias de Vero e deposita suas cinzas no Mausoléu de Adriano, onde já estavam as cinzas de seu pai-adotivo, Antonino, e alguns de seus muitos filhos, mortos, provavelmente, em decorrência daquela que ficou conhecida na história como Epidemia Antonina, a segunda maior de toda a Antiguidade. Solicita ao Senado a deificação de Lúcio Vero, o que é prontamente atendido.

O tempo do Príncipe em Roma era muito curto. Sabendo da ausência de Marco em Carnuto e da morte de Vero, os bárbaros fazem outras incursões em territórios romanos. Tão logo toma algumas medidas legais frente ao Senado e casar sua filha Lucilla, agora viúva, com um de seus maiores generais, Claudio Pompeano, proveniente da Ordem Eqüestre e nascido em Antioquia, tão amada por Vero, Marco se prepara para partir.

Outro acontecimento tingirá negativamente o ano de 169. Já preocupado com sua sucessão, no fim da guerra com os partos, em 166, Marco Aurélio outorga o título de César a dois de seus filhos, Marco Anio Vero, com apenas com 4 anos, e a Lúcio Aurélio Cômodo, com cinco. Seguindo a tradição dos Antoninos, os príncipes deveriam ser educados para o poder, assumindo o trono já muito tarde, na maturidade, quando possuíssem todo o dispositivo intelectual e moral que o cargo exigia. Assim, ao atribuir o título de César a Anio Vero e Cômodo, Marco pretendia educá-los para assumir o trono um dia, assim como ocorreu com ele próprio. A única diferença efetiva preconizada por Marco foi que o sucessor não pertencia necessariamente à mesma família do Príncipe: o sucessor deveria apenas ser o mais digno. Ao empossar seus dois filhos consangüíneos, Marco rompe com a tradição de adoção do mais digno e, de certa forma, retorna à sucessão hereditária.

Anio Vero, apesar de todo cuidado de Galeno e Posidipo, médicos da corte, falece naquele ano. Após depositar as cinzas de sua criança no Mausoléu de Adriano, a atenção de Marco, a partir de então, se focava na atenção da educação de César Lúcio Cômodo – seu único sucessor virtual – e na débil defesa das fronteiras do norte contra as perigosas invasões empreendidas por Belomario, rei dos marcomanos.

No outono de 169, Marco Aurélio chega novamente à Carnuto, onde comandará pessoalmente as operações militares que se estenderão até o final de 174. Muitas campanhas serão executadas, segundo a estratégia de dividir os ataques romanos por tribos bárbaras. Uma vez isoladas, as nações, uma-a-uma, sucumbiram. Merino diz que a primeira nação supressa pelo poderia romano foram os marcomanos (172), seguida pelos quados (174) e pelos sármatas (175).[18] A conclusão das guerras e a imposição da paz no início de 175 rendem ao imperador mais dois títulos: Germânico e Sarmatico. Prisioneiros de guerra foram devolvidos e germanos tiveram a permissão de permanecer, enquanto colonos, no território reconquistado, repovoando o vasto e destruído território da Panônia – um erro que traria graves conseqüências dois anos depois. Mas, por enquanto, outras dificuldades viriam de encontro ao imperador, na figura de um de seus maiores generais.

O império estava pacificado. Faustina acompanhava o imperador na maioria de suas expedições. No início de 175, a imperatriz se encontrava no acampamento de Sírmio com duas de suas filhas pequenas, secundando Marco, que se encontrava enfermo. Ali, a filha de Antonino se portou como verdadeira imperatriz, participando das cerimônias militares e se fazendo presente junto aos legionários feridos e doentes, num momento em que seu marido imperial não poderia abandonar o leito. Esses feitos proporcionaram popularidade a Faustina junto às legiões, que espontaneamente lhe outorgaram o título de Mater Castrorum, Mãe dos Acampamentos. Marco Aurélio, orgulhoso de sua esposa, manda cunhar moedas com a efígie de Faustina.

A reputação de Faustina fora notória. Proclamada Augusta em 147, diz-se que seus relacionamentos extraconjugais eram comuns e que tinha preferência por gladiadores. Algumas fontes relatam até mesmo que seu filho Cômodo não era filho legítimo de Marco Aurélio, mas de um gladiador. Segundo as mesmas fontes, outro amante da imperatriz fora um dos maiores generais de Marco, Avídio Cássio.

Cássio, filho de Avídio Heliodoro[19] e real conquistador dos partos, ganhou de Marco o governo da Ásia e do Egito em 168. Fora exemplar funcionário público no tratamento dos interesses imperiais nessas províncias. Tão ambicioso quanto severo, a História Augusta narra que Cássio era amado pelos legionários. Não faltavam aqueles que o chamavam de segundo Catilina. O imperador, contudo, o via como um importante aliado, concedendo-lhe, em 172, o supremo comando das legiões do leste, uma função outrora apenas exercida por Lúcio Vero.

Foi assim que, em face de sua fama em todo o império, e de modo mais influente no leste, que Cássio se auto-proclama Augusto em abril de 175. Tal atitude fora tomada em decorrência do boato que se espalhou à respeito do falecimento de Marco no final da guerra contra os germanos. O intento de Cássio era não apenas governar o maior império do mundo conhecido, mas também se casar com Faustina.

Aparentemente, Marco Aurélio não se perturbou com a rebelião no leste. O Senado, contudo, proclamou Cássio inimigo público e confiscou seus bens. Em Roma havia um pânico generalizado de que Cássio chegasse antes de Marco. O imperador, então, se dirige para o leste com suas tropas, de encontro aos revoltosos. Os exércitos de Cássio, ao descobrirem que o imperador ainda estava vivo, degolam o usurpador e matam o prefeito do pretório por ele indicado. Ao chegar no leste, a cabeça de Cássio é oferecida a Marco, sendo, em seguida, enterrada por ordem do imperador. Este escreve uma carta ao Senado solicitando que os revoltosos fossem perdoados; que os filhos e a esposa de Cássio desfrutassem de suas riquezas e que ninguém fosse preso ou punido de qualquer forma, mas que pudessem viajar para onde quisessem, livres de ansiedade e medo, na certeza de que viviam sob a proteção de Marco Aurélio Antonino.[20]

Resolvidas as dificuldades na Ásia, o imperador passa o inverno de 175-176 em Alexandria, a maravilhosa cidade que competia com Roma em esplendor. Passara muitas horas nas bibliotecas, estudando filosofia. Regressando à Europa por terra, atravessa a Palestina e a Síria. Em Halala, nos arredores do monte Taurus, a imperatriz morre inesperadamente. Merino diz que a lenda que se preservou na história narra que Marco, em face dos escândalos sexuais da imperatriz, lhe sugere suicídio, como forma de preservar sua dignidade.[21] Honras divinas foram solicitadas ao Senado e, em pouco tempo, tempos em louvor à Divina Faustina foram levantados para sua adoração.

Dirigiu-se depois para Esmirra, detendo-se antes, em Éfeso. De Esmirra, foi para Atenas, sua pátria espiritual. Ali visitou todas as escolas filosóficas e criou, à custa do Estado, um colégio para estudo de filosofia com as quatro tendências da época – Estoicismo, Epicurismo, Platonismo e Aristotelismo -, com dois professores de cada corrente, naquilo que será o gérmen das universidades medievais. Nas terras onde Sócrates vivera e morrera, Marco Aurélio se faz iniciar nos Mistérios Eleusinos.

No final de 176 embarca novamente para Roma, no porto de Corinto, onde festeja seu segundo triunfo – o primeiro foi contra os partos – em 23 de dezembro. O longo cortejo atravessava as avenidas e os fóruns imperiais entre o delírio da multidão. Por estar de luto, desce da quadriga e prossegue o desfile a pé, acompanhado por Cômodo.

Um dos episódios que mais se comenta à respeito da vida do imperador é, certamente, a perseguição aos cristãos de 167 e, de modo mais intenso, em 177. À respeito do martírio de são Justino e santa Blandina, convém precisar que tais perseguições tiveram lugar nas províncias afastadas da residência de Marco Aurélio, que, em seu édito dirigido às províncias da Ásia, proibia qualquer repressão contra os cristãos. O Estado tinha o poder de punir unicamente quando os cristãos se tornavam culpados de atos repreensíveis contra a segurança do império. Naquela época, os governadores que os perseguiram estavam sediados fora da Itália e o imperador achava-se na impossibilidade material de proibir-lhe as atividades criminosas.

No final do século II, o “império experimentava a angústia das invasões e da peste. Para os cidadãos, as calamidades representavam um castigo por terem se desentendido com os deuses. Deste modo, Marco Aurélio praticava a religião ancestral. Os romanos se apressavam a realizar sacrifícios para aplacar a ira divina. Todos, menos os cristãos. Estes, com sua negativa de intervir nas cerimônias públicas, confirmavam o que acontecia na mentalidade do momento: que eram sujeitos perniciosos para a ordem política e social. Na linguagem mais comum dos magistrados, essa reticência constituía uma traição sumária ao Estado. Não se tratava de um assunto de fé, mas de patriotismo em momentos de emergência.”[22]

Marco Aurélio permitiu as medidas jurídicas cabíveis aos cristãos desde a época de Trajano, porém não as promoveu. Tão pouco iniciou perseguições, apesar das inquietudes que se produziam pelos cristãos com seus ritos estranhos, sua intensa propaganda e a contraditória – e isso certamente era o mais impressionante – adoração de um estrangeiro que morrera crucificado.

Ainda nesse ano de 177, tomou aquela que será a mais criticada de suas medidas: outorgou o título de Augusto a seu filho Cômodo, então com 16 anos, que passa a se chamar Lúcio Aurélio Cômodo Antonino Augusto. Mais uma vez o império era governado por um colegiado constituído por dois Imperadores com poderes iguais. Jogos gladiatoriais foram promovidos em honra ao novo Augusto. Marco o casa com a filha de Brutio Praesens[23], Crispina.

O imperadores não puderam desfrutar de sua bela cidade, uma vez que os bárbaros do Danúbio tornam a se levantar. Trata-se de uma rebelião formada por aqueles colonos germanos que Marco Aurélio permite que se assente nas proximidades do Danúbio, em 175. A rebelião força os imperadores a retornarem às fortificações de Carnuto, no Danúbio, em 178. Pouco se sabe sobre essa revolta, senão que a paz foi alcançada no início de 180. Em 17 de março daquele ano, o grande imperador falece, possivelmente de peste, na cidade de Vindobona – atual Viena. Pouco antes de morrer, confirma seu filho como sucessor, dirigindo as seguintes palavras aos generais: “Tende-o em meu lugar; e, perdendo-me, ele me reencontre em cada um de vós!”[24]. Aos soldados que choravam em seu leito de morte, exclama: “Por que chorais? Não sabeis que não faço outra coisa senão preceder-vos lá, onde todos me reencontrarão?”. [25]

Em seu último dia de vida, mandou vir Cômodo para lhe dar adeus e pedir que acabasse com a guerra. Breves foram as recomendações e os adeuses, pois o imperador, temendo contagiar o seu filho com o mal que o levava à tumba, mandou-o logo embora. Ullmann diz que pouco depois, Marco Aurélio foi tomado por delírios, durante a qual dizia em grego: “Tamanha coisa infeliz é fazer a guerra!”. Seu corpo foi transladado para Roma, onde foi incinerado e suas cinzas depositadas no Mausoléu de Adriano, onde pôde, finalmente, encontrar a paz tão desejada.

O impacto da vida e do governo de Marco Aurélio foram marcantes e duradouros. Nas décadas que se seguiram à sua morte, seu nome fora divinizado e sua biografia serviu de modelo para muitos governantes. Cômodo fora divinizado pelo imperador Sétimo Severo, que se considerava filho ilegítimo de Marco. Seu filho, o imperador Caracala adotara o nome de Antonino. No século III, temos o pio imperador Juliano que o reverenciava como modelo de auto-suficiência.

Suas Meditações foram preservadas por seu amigo de infância, Vitorino. A única menção feita de seus escritos encontra-se em algumas citações aparentemente circunstanciais em Suidas (900 DC) e na obra do filósofo pagão Temístio (350 DC). A obra de Marco Aurélio sobreviveu, sobretudo, graças ás compilações dos gramáticos bizantinos. De fato, com a queda do Império Romano do Ocidente, os manuscritos foram provavelmente parar em Constantinopla e nos século XII e XIII temos várias citações de Marco feitas por Tzetzes, Nicéforo Calisto e Planudes. A primeira edição de Meditações é de 1558, preparada em Augsburg, mas hoje está perdida. As modernas edições baseiam-se, sobretudo, no Codex Vaticanus (Vat. G. 1950), recolhido pelo cardeal Barberini no século XVII, e no Codex Palatinus. Os outros códices trazem apenas trechos ou fragmentos de Meditações.

Chegaram às mãos de Voltaire que as apresentaram a Frederico, o Grande, Imperador da Prússia. Frederico lia Locke e Lucrécio, mas sua admiração se concentrava em Marco Aurélio[26]. Frederico buscava, como Marco, ser um estóico na corte. A influência Aureliana pode ser vista nos poemas de Frederico, alguns dos quais fazendo apologia ao suicídio e proclamando a fluidez da existência.


Bibliografia

LISSNER, Ivar. Os Césares: Apogeu e Loucura. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1985.

BOWDER, Diana. Quem Foi Quem na Roma Antiga. Círculo do Livro/Art Editora, 1980.

ULLMANN, Reinholdo Aloysio. Estoicismo Romano: Sêneca, Epicteto, Marco Aurélio. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996.

DALFEN, Joachim. In: Marco Aurélio. Filósofos da Antiguidade 2: Do Helenismo à Antiguidade Tardia. São Leopoldo/RS: UNISINOS, 2003.

Marco Aurélio. Português. In: Meditações. Tradução de Alex Marins. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002.

Marco Aurélio. Português e Grego. In: Meditações. Seleção, Tradução e Introdução de William Li. São Paulo: Editora Iluminuras, 1995.

ELLIOT, Julián. In: Roma Antes Del Declive. História Y Vida. Barcelona: Mundo Revistas. Número 451/Ano XXXVII.

MERINO, Ignácio. In: Marco Aurelio – El Emperador Filósofo. História Y Vida. Barcelona: Mundo Revistas. Número 451/Ano XXXVII.

GOULET-CAZÉ, Marie-Odile & BRANHAM, R. Bracht, Orgs. Os Cínicos: O Movimento Cínico na Antiguidade e o Seu Legado. São Paulo: Edições Loyola, 2007.

FONTAINE, François. Marc Aurèle. Editions de Fallois.


Notas:

[1] . Merino, p. 40

[2] . Tal professor é citado pelo próprio Marco (Med. 1:06)

[3] . Nascido por volta de 101, Herodes Ático teve sua importância reconhecida como homem de letras por formar entorno de si um círculo de amigos e alunos poderosos, como Adriano, Antonino, Marco Aurélio e Lúcio Vero. Tornou-se senador e assumiu consulado em 143, juntamente com outro professor de Marco, Cornélio Frontão. A riqueza e a filantropia de Herodes foram lembradas com a construção de edifícios públicos, como o Odeon e o Teatro de Herodes Ático, em Atenas, além de outras construções na Grécia e na Ásia Menor, inclusive Delfos, Elêusis e Olímpia. Morreu aproximadamente em 177 (BOWDER, p. 136-137).

[4] . Nascido em Cirta, na Numídia, em aproximadamente 100, Frontão atingiu o posto de cônsul em 143. Advogado e orador famoso, é descrito por Dion Cássio (LXIX, 18) como mestre de Marco Aurélio e Vero. Em 1823, cardeal Mai publicou um palimpsesto que contém suas correspondências com Marco e Vero, além de Antonino. Além da correspondência, o palimpsesto também contém fragmentos de outros trabalhos, como cartas trocadas com Marco Aurélio sobre retórica, um prefácio a uma história dos feitos de Vero na guerra contra os partos, “Elogios sobre fumaça e pó”, “Sobre a perda de um neto”, “Arrião”, etc. Frontão, hipocondríaco e sentimental, não era feito à filosofia, o que não o afastou de Marco. As cartas têm importância histórica limitada, mas a influência da linguagem de Catão, o Velho, e de Caio Graco, por exemplo, faz delas um excelente documento sobre o movimento arcaizante de Roma. (BOWDER, p. 123)

[5] . J. I. Porter possui um importante artigo publicado sobre Ariston no livro Os Cínicos: O Movimento Cínico na Antiguidade e o Seu Legado, organizado por Marie-Odile Goulet-Cazé e R. Bracht Branham, nas Edições Loyola.

[6] . Med., 1:8

[7] . Marco Aurélio (Med., 1:7) lembra que, por seu intermédio, abandonou a sofística e a paixão de escrever belas frases. Curiosamente, este mesmo fragmento de Meditações diz que aprendeu com seu professor a não andar de toga em casa, uma informação que confere com o relato feito por Ivar Lissner (Os Césares: Apogeu e Loucura, Ed. Itatiaia, 1985, p. 302): “Quando acompanhava o imperador, levava a toga regulamentar, mas, comumente, andava vestido com uma túnica de cor escura.” Em Meditações 1:17, lê-se: “Por ter-me apressado a conferir a meus mestres as dignidades que pareciam desejar…”. Essa foi uma recordação feita quando confere a Rústico o título de Prefeito Urbano entre os anos 162 e 167, período da guerra contra os partos.

[8] . Marino, p. 45

[9] . Lissner, p. 294.

[10] . Meditações, 10: 31

[11] . Med., l:14

[12]. Dalfen, p. 178.

[13] . Tribuno: oficial ligado a uma legião.

[14] . Magistratura intermediária com deveres administrativos importantes, entre os quais a organização de jogos públicos (responsabilidade que Augusto conferiu aos pretores). Os edis curuis (aedile curule), originalmente patrícios, eram hierarquicamente superiores.

[15] . Ullmann, p. 82.

[16] . Não por acaso termina o Livro II de suas Meditações com a inscrição “em Cornuto”, e, igualmente, termina o Livro I com a inscrição “à margem do Grã, na terra dos quados”. Os quados habitavam justamente uma localidade do território germano nas proximidades de Carnuto e Vindobona, na atual República Tcheca.

[17] . Loisel, citado por Ullmannn, p. 82.

[18] . Merino. p. 44

[19] . Retórico grego de Cirro, na Síria, Caio Avídio Heliodoro ocupou o posto eqüestre de secretário da correspondência em grego, durante o reinado de Adriano, antes de se tornar prefeito do Egito, de 137 a 142.

[20] . História Augusta, Vida de Avídio Cássio, 12

[21] . Merino, p. 47

[22] . Elliot. p. 39

[23] . Cônsul em 153 e prefeito urbano.

[24] . Ullmann, p. 85

[25] . Ibid.

[26] . GOULET-CAZÉ, Marie-Odile & BRANHAM, R. Bracht, Orgs. p. 374


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Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.