Willem Cornelisz de Antuérpia e a Livre Volúpia

Por Breno Lucano

Renunciando ao seu status no baixo clero medieval, Willem Cornelisz de Antuérpia funda um movimento de pobreza voluntária. O cristianismo começa, a partir de então, a instalar-se no meio dos pobre, entre os pobres. Com a ajuda do ouro e de suntuosos palácios, a Igreja elogia a pobreza e os mendicantes, certamente, mas para os outros...



Se o Reino dos Céus realmente pertence aos pobres, não há porque duvidar de que no Vaticano teremos muitos condenados. E é nesse interim que Willem ensina que só a pobreza viabilizam toda graça e toda perfeição evangélica. O despojamento passa a ser o imperativo categórico, de modo que todos os religiosos, sem exceção, serão condenados. Dessa forma, efetua dura crítica às famosas vendas de indulgências que garantem a salvação mediante a doação de recursos à Igreja.

Sendo a pobreza o único critério, a sexualidade encontra espaço para sua livre expressão. Despojado de tudo, Willem afirma que uma mulher pode dar-se sem pecar, contanto que nada possua. A mulher pobre ganha seu céu e esse céu encontra-se exatamente sobre a terra.

Willem, assim como todos os adeptos do Livre Espírito não escapam das perseguições. Morto em 1253, ano em que a Sorbonne é fundada por Robert de Sorbon, apenas a existência do cadáver não é suficiente. Quatro anos após, seu corpo é exumado e queimado.



Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.