Trajano


Traianus, imperador de 97 - 117.

Os Úlpios eram uma família da Úmbria que se fixara na Bética (Espanha). Seu pai homônimo - Marco Úlpio Trajano - foi o primeiro membro da família a atingir o status senatoria. Assim, Trajano pôde utilizar a distinção alcançada por seu pai como base para sua própria carreira. Sua reputação começou a crescer com o auxílio imediato que deu a Domiciano em 89, contra Antônio Saturnino, época em que Trajano comandava uma legião na Espanha. A prosperidade e as vantagens que se seguiram - inclusive o consulado de 91 - permanecem obscuras, pois os autores a quem devemos a maior parte das informações sobre o período não consideravam admirável o fato de receber favores de um imperador como Domiciano.

Nerva indicou Trajano como governador da Germânia Superior e, depois da crise de 96 e da ameaça da guarda pretoriana, adotou-o como seu herdeiro. Trajano era ativo e hábil, ilustre pelos feitos de seu pai e pelos favores de Domiciano - embora não se envolvesse profundamente nas associações menos respeitáveis do reinado desse imperador -, mas sua adoção nao pode ser explicada facilmente, e é bem possível, como se sugere em relatos antigos, que insinuações do próprio Trajano e de seus amigos combinaram-se às dificldades do momento para levarem Nerva a tomar tal decisão. A relutância de Trajano a voltar a Roma após a morte de Nerva, sua preparação intensiva para uma guerra no estangeiro e a maneira com que lidou com os pretorianos, tudo sugere que a situação em 97, por razões desconhecidas, era mais insegura do que fazem crer as fontes de informações do peíodo.

A agressão tomou forma com as guerras punitivas contra Decébalo e os dacos, que não hviam sido dominados de modo decisivo por Domiciano. A primeira guerra terminou rapidamente, mas Decébalo não cupriu sua palavra, e uma segunda guerra encerrou-se com seu suicídio e a trasnformação da Dácia em província romana. As riquzas minerais e a segurança da fronteira foram os pretextos usados. Em 114, Trajano obteve novos sucessos na Mesopotâmia, que, jutamente com a Assíria, foi transformada em província. Contudo, a região mostrou-se difícil de ser governada e, por ocasião de sua morte - na Cilícia -, as revoltas, que se espalharam por toda a Assíria e só eram debeladas com grande dificuldade, somadas à ameaçada de distúrbios na Judéia e na Síria, levaram-no a adotar novamente para a Pérsia o sistema de reino protegido.

Trajano mereceu a alcunha de optimus princeps e lutou paa representar o imperador ideal, sonhado por muitos senadores que haviam discordado dos governantes anteriores. O respeito pelo Senado e a utilização crescente do talento senatorial para administrar programas como o dos alimenta - programa de auxílio à pobreaza, em toda a Itália - ou para lidar com problemas como o que Plínio, o jovem, enfrentou na Bitínia, melhorara as relações com essa classe. Os homens que Trajano promoveu, Sósio Senecião, Licínio Sura ou Cornélio Palma, receberam as mesmas honras que os baluartes do Senado, tais como Vestrício Espurina, Frontino e Virgínio Rufo. Ao mesmo tempo, devotou-se intensamente às reformas administrativas, e vastas quantias foram gastas em projetos de edifícios como o do Fórum - com sua coluna - e o das Termas em Roma.

Sua esposa Plotina partilhou de sua reputação, e o fato de que ele próprio fora adotado, adotando por sua vez um herdeiro - Adriano -, tornou-o querido por aqueles que acreditavam que a sucessão deveria basear-se no mérito, em oposição à sucessão hereditária. Seus oponentes tinham a censurar-lhe apenas a bebida e a homossexualidade - mesmo assim, ele não se excedia em nenhuma das duas. Talvez sua reputação tenha sido retocada, mas ele permanece um exemplo de governante competente e consciencioso.



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Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.