Arquelau

Arquelau, filho de Apolodoros ou, segundo dizem alguns autores, de Mídon, era ateniense ou Milésio; foi discípulo de Anaxágoras e mestre de Sócrates e trouxe pela primeira vez a filosofia natural da Jônia para Atenas; qualificavam-no de naturalista porque com ele terminou a filosofia natural, quando Sócrates introduziu a ética. Parece, aliás, que o próprio Arquelau não foi alheio à ética, pois filosofou sobre as leis, o belo e o justo; Sócrates, que adotou e ampliou suas concepções, é considerado o criador da ética. Arquelau sustentava que havia duas causas para o devenir - o calor e o frio -; que os seres vivos se originaram do lodo, e que o justo e  torpe não existem por natureza, e sim por convenção.



Sua teoria naturalista baseia-se no seguinte raciocínio: a água evapora-se sob a ação do calor, e quando, precipitando-se, condensa-se por causa do fogo, produz a terra; ao inundar tudo em sua volta gera o ar; sendo assim, a terra é limitada pelo ar, e o ar pelo fogo que circunda tudo. Os seres vivos, diz Arquelau, são gerados pela terra quando é aquecida e se recobre de todo com a consistência do leite para servir de nutriente; e assim a terra produziu até os homens. Ele explicou pela primeira vez a voz como sendo uma concussão do ar, e a formação do mar em concavidades como sendo devida a infiltração através da terra. O sol é o maior dos astros e todo o universo é infinito.


DL, Livro II


Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.