Influência da Obra de Epicuro

O estudo das obras de Epicuro teve novo ímpeto com a publicação, nos anos de 1647-1655,  dos trabalhos do professor de filosofia do Collége Royal de Paris, Pierre Gassendi, que interpretou a filosofia epicuréia por comentários ao livro X de Diógenes Laércio, e defendeu o ponto de vista do atomismo contra o racionalismo de Descartes. É de se supor que Epicuro se tornou conhecido e familiar às pessoas cultas daquela época, principalmente em razão dessa controvérsia. O poema de Lucrécio também foi traduzido para o francês, estava aberto o caminho para a influência da concepção atomística sobre a tendência espiritual da era do "esclarecimento", e especialmente sobre o trabalho das ciências naturais modernas. Foi nessa altura que o pensamento atomístico se tornou familiar a Frederico, O Grande.



O conhecimento atomístico chegou também, por intermédio do poema de Lucrécio, aos clássicos alemãs. Goethe não somente seguiu com interesse a tradução para o alemão do seu amigo Von Knebel, mas desejou ele mesmo escrever um livro sobre Lucrécio, do qual existem esboços.

Essa interpretação do universo é familiar a todo o século XIX, o que e muito compreensível numa época caracterizada pela pesquisa precisa da natureza, pelo empirismo dos métodos científicos em todos os campos, pela técnica e materialização em todos os domínios da vida humana.

O estudo da herança do próprio Epicuro foi beneficiado de modo decisivo pela edição da Epicurea de Hermann Usener, em 1887. iniciou-se aí novamente um trabalho ativo por parte de filósofos, filósofos e tradutores, E apesar do poderoso progresso realizado pelo atomismo moderno, científico, que efetuou uma metamorfose, uma nova interpretação de si mesmo, a consciência da ligação com a obra de Epicuro nunca poderá desaparecer. A filosofia do prazer de Epicuro, finalmente, tem o poder de dar ao homem de hoje, como já o deu a tantos outros antes dele, enriquecimento e estímulo, felicidade e consolo.


(fragmento do texto de Pensamentos de Epicuro, ed. Martin Claret, p. 32-33)

Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.