Fascismo no Brasil?

por Breno Lucano

É possível um comportamento fascista sem que haja fascistas de fato? Em outras palavras: é possível que, mesmo que não seja implantado uma estrutura política nitidamente fascista, ainda assim existam ações que a caracterizam? Disso não duvidamos.

Isso ocorre porque o fascismo possui, talvez como sua maior marca, a recusa pelo diálogo. A conversa não lhe agrada, não o satisfaz. Isso se torna nítido quando vemos quando a população batendo panelas. Ora, o bater panelas impede que se ouça o que o político quer dizer. Não se possui interesse em conversar, em debater idéias. Apenas bate-se panelas.

Entre os políticos isso também se torna evidente. Que se recorde dos que fizeram manifestações na Copa e nas Olimpíadas. Não há diálogo, elas são retiradas, são eliminadas.



O fascismo cala por todos meios e, no limite, cala também pela eliminação física. Ele pode eliminar não apenas batendo panela, mas também quando alguém popular, detentor dos meios de comunicação, lançam uma nota afirmando que foi agredida. É nesse momento que surgem os defensores da agredida, que agem em prol da moral e dos bons costumes.

Espalha-se o boato de que, em determinado momento, um indivíduo faz mal a um partido ou organização. E, no dia seguinte, amanhece morto. Do mesmo modo, alguém é caluniado no mercado de trabalho e um determinado RH não o contrata porque fere os princípios da organização.

Aqui surge a importância da escola em sua função de ampliar a visão de mundo. A mãe que reclama do filho receber suposta doutrinação na escola age de modo fascista porque impede o diálogo com a oposição. E o contrário também é verdadeiro.

A questão não é moral, mas de mentalidade. Em diversos planos da estrutura social deseja-se a eliminação das críticas, de modo que todos pensem da mesma forma. Cresce-se quando se muda de opinião, ao mesmo tempo em que se amadurece quando confrontado com visões opostas.

Assim surge a perda da liberdade de imprensa, desaparece a liberdade de cátedra, perseguição a professores, pessoas negando a levar os filhos à escola porque vão aprender coisas diferentes. Mas também assassinatos encomendados, perseguição generalizada e perda dos direitos civis.

Isso deve ser pensado para os dias vindouros.


Filósofo por paixão. Ex-seminarista da Ordem dos Franciscanos. Humanista. Áreas de interesse: Cinismo; materialismo francês; Sade; Michel Onfray; ética. Idealizador e escritor do Portal Veritas desde dez/2005.