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Prazer Narcótico e a Subjetividade

Aos meus leitores, ofereço meu artigo científico apresentado como TCC na pós-graduação em Saúde Mental na Universidade Candido Mendes. Caso queiram também fazer o download, basta acessar o link no fim do texto.

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PRAZER NARCÓTICO: ESTRUTURA DA SUBJETIVIDADE

Breno de Magalhães Bastos 



RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso objetiva desenvolver a temática do prazer enquanto motivador para o uso e abuso de drogas. Utilizou-se pesquisa bibliográfica, onde apresentou-se as principais drogas usadas no exercício da adicção, bem como algumas motivações possíveis dentro do universo de variados autores que abordam a questão do prazer, desde a antiguidade até o momento pós-moderno, como EPICURO (2005), ARISTIPO (2008), SADE (1999) e MICHEL ONFRAY (1999), entre outros. Procuraremos responder a seguinte pergunta: de que modo o prazer se põe como fator estruturante para a vida psíquica e sua relação com as substâncias psicoativas. Os dados conclusivos estabelecem estreita relação entre o prazer narcótico e a realização humana.
Palavras-chave: Prazer; Drogas; Adicção; Gozo; Incompletude.


Sade, um Libertino Religioso?

por Breno Lucano

De modo geral, considerando os 27 anos com que Sade ficou preso, entende-se que sua obra seja mera transgressão sexual, um caso patológico. Mas esse é um equívoco de viés moralista, reducionista e superficial. Sade incomodava e ainda incomoda não por ser um depravado, mas por subverter a hierarquia dos discursos.

A concepção de otimismo e de bondade encontrada no estado de natureza - presente, por exemplo em Rousseau - era refutada por Sade. Para ele, a natureza nos levou ao estado de guerra e destruição perpétuas. Em substituição à bondade, Sade coroa o egoísmo como o motor primário do homem. Assim, seus escritos são marcados por destruição, orgias, assassinatos, adultérios, estupros, incestos, sodomitas, parricídios, lesbianismo, flagelação. Em outras palavras, práticas sexuais insólidas de todos os tipos eram meios de exprimir o que de pior pode existir por ser próprio da natureza: uma visão de mundo caótica de prazeres, sem Deus e qualquer justificação racional de moralidade. Para Sade, o anti-Rousseau, não havia qualquer esperança para a humanidade. A extinção da espécie era inevitável devido ao poderio de destruição dos homens, e não havia qualquer motivo para se lamentar por isso.

Ciencia, Religião e Neo-Ateísmo

por Breno Lucano

Temos visto, especialmente no Brasil em função das discussões entre bancada evangélica e grupos sociais que requerem direitos civis, grave disputa teórica e política entre religiosos e ateus. Ou melhor ainda, neo-ateus. Se, por um lado, temos grupos que pretendem a teocratização das relações, por outro temos uma força que cresce gradativamente, á partir do Iluminismo, e que supõe movimento inverso. Desejam mais do que o Estado laico, desejam o estado ateu.

Como expliquei no vídeo do ateísmo - clique aqui para assisti-lo -, este trata-se de um movimento que cresce gradativamente com o decorrer dos séculos e começa a tomar repercussão no mundo das idéias a partir de Jean Meslier e La Mettrie, cruzando os grandes nomes de Holbach e Sade, além de Diderot. E, finalmente, explode com o nome de Nietzsche com o seu famoso 'deus está morto'. No século XIX entra em cena Comte, com seu aparato cientificista, que faz reflexões importantes no campo epistemológico e lança mão de um endeusamento do empirismo como único critério válido de conhecimento. Deus realmente morre nesse momento.


Filosofia, Erotismo e Pornografia

por Breno Lucano

A filosofia é uma daquelas disciplinas para qual tudo se torna objeto de investigação. Podemos filosofar sobre assuntos tão diversos e, aparentemente, sem qualquer relação, como a linguagem e a cosmologia, a estética e a moral, a mente e a gastronomia. Assim, de que modo poderíamos pensar sobre um tema atual e que gera, a cada ano, vários milhões de dólares de lucro nas indústrias cinematográficas: o sexo e a pornografia?

Pornografia vende. E mesmo que mentalidades mais moralistas tentem profanar a sacralidade dialética do sexo, alocando-o no campo do proibido para menores, todos consomem seus produtos. Passamos por sex shops e ficamos pensando que tipo de produtos existem, além das famosas próteses. Lubrificantes, calcinhas cosmetíveis, géis afrodisíacos: há tantos e variados produtos quanto maior for a imaginação do consumidor.

Espiritismo e Materialismo

por Breno Lucano

Allan Kardec
O Século das Luzes possuiu seus frutos. Questiona-se em que medida o lema igualdade, fraternidade e liberdade teve êxito. Da mesma forma, questiona-se em que sentido trouxe à Europa o materialismo.

Longe de ser materialista, o Iluminismo e seus herdeiros nunca foram materialistas. Antes, deístas em maior ou menor escala. Deus, como em Voltaire ou Rousseau nunca foram esquecidos. Apenas, adaptados às novas condições. Os homens continuavam a crer nas estórias bíblicas, Céu, Inferno, pecado, redenção, ressurreição. E, antes de formar todo um sistema ontológico capaz de explicar o mundo físico, tais crendices procuravam explicar, antes de tudo, o mundo moral.

"Não há moral se Deus não existe". Alegação corriqueira que pressupõe alguma verdade. Mas apenas para o lugar-comum. Com efeito, se o desespero do vazio após a morte me consome, sou capaz de qualquer coisa. Platão presentiu isso em seu famoso Mito do Anel de Giges. Se não há juíz, não há culpado. Logo, a vontade é um guia livre para a ação.

Johannes Hartmann de Amtmanstett e a Necessidade

por Breno Lucano

Em 1367, ante o inquisidor que lhe indaga o que é o Livre Espírito, Joannes Hartmann responde: a abolição do pecado. Resultado: nosso livre pensador conhece os horrores da fogueira sob o pontificado de Urbano V. Mas em que consistia a heresia?

A necessidade perpassa a realidade, o mundo é tingido pelo que deve ser. Joannes, também conhecido como João, o Tecelão, entende que, portanto, não há culpa. Ora, para punir é necessário que se crie culpa, como o pecado original. E mais, essa falta é transmitida hereditariamente, de geração em geração, de modo que todos os homens, sem exceção, possam usufruir dessa falta. Apenas há culpa porque se é possível escolher - e escolher errado! Escolhendo fazer o mal, quando poderia fazer o bem, o homem se torna ontologicamente culpado. E a forma de expiar o pecado todos conhecem: trabalhar, conhecer a vergonha, parir com dor, envelhecer, morrer.

O querer de Deus está em tudo, ele é tudo. Assim, à semelhança dos Estóicos e, posteriormente, Holbach e Sade, João recomenda que se ame o destino, seja a forma ou maneira em que ele se manifestar. 

Donatien, o Marquês de Sade

por Breno Lucano

Robert Englund interpretando Sade
 no filme Noites de Terror
Donatien Alphonse François (1740-1814), Conde e Marquês de Sade, passou os últimos anos de sua vida internado num hospício, diagnosticado como portador de uma mente vil e doentia. Claro, trata-se apenas de um dos vários locais onde passou internado ou preso, totalizando 27 anos de detenção, além de duas sentenças de morte que foram evitadas. Acusação: a vida agitada, orgias sem fim, flagelações, escândalos, devassidão. Seu nome se tornou sinônimo  de obscenidade, violência e da degradação.

Mas não podemos considerar a obra de Sade apenas como um amontoado de obscenidades ou um clássico estudo de casso do que a psicopatologia chamará hoje de sadismo. Essa crítica, pouco esclarecida, além de moralista, é superficial e reducionista. Sade incomodava e ainda incomoda não por sua depravação, mas porque subvertia o discurso. Em variadas ocasiões afirmou que era impossível determinar um padrão universal de moralidade, uma vez que o que era virtuoso num local era vício em outro. Então, a única lei era a estabelecida pela Natureza. Lei e religião são superstições que deveriam ser abandonadas enquanto convenções humanas e, portanto, algo de menor valor.

Sade e a Defesa do Crime da Sodomia

Mas a sodomia, este pretenso crime que atraiu o fogo do céu sobre as cidades que a ela se entregaram, não é um extravio monstruoso cujo castigo não poderia ser bastante forte? Sem dúvida é muito doloroso para nós termos de censurar nossos ancestrais pelos assassinatos judiciários que ousaram permitir-se sobre este assunto. Será possível ser tão bárbaro a ponto de condenar a morte um infeliz indivíduo cujo único crime é não ter os mesmos gosto que vós? Trememos quando pensamos que há quarenta anos apenas os absurdos dos legisladores chegavam a isso. Consolai-vos, cidadãos! Tais absurdos não se repetirão! A sabedoria de vossos legisladores responde por isso. Inteiramente esclarecidos sobre esta fraqueza de alguns homens, sabemos hoje perfeitamente que tal erro não pode ser criminoso; a natureza não teria colocado no fluído que corre em nossos rins uma importância tão grande para se enfurecer com o caminho que nos agrada seguir por este licor.

Por Uma Mística Imanente

Por Breno Lucano


O texto que se segue não é apenas uma resposta às indagações de meu amigo Alex Amorim quanto ao meu post - referido abaixo - no Facebook, mas também uma reflexão, uma tomada de consciência existencial quanto à precariedade humana.

"Já mandou deus para a puta que pariu hoje? Vou ensinar: foda como uma vadia encima do altar de uma igreja. Ejacule no sacrário. Defeque na âmbola. Cuspa na patena. Limpe a bunda gozada com o corporal." Breno Lucano



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"O desprezo pelo corpo é a consequencia da 
insatisfação  que se sente com relação a ele."  

Nietzsche, Fragments posthumes, 7, 150


Meus leitores e aqueles que me seguem há algum tempo estranharão o título Por Uma Mística Imanente. Ao meu ver o termo mística remete apropriadamente meu ideal de apropriação do real, como protagonista de um romance trágico da história e do mundo. 

Admissão na Sociedade dos Amigos do Crime

O texto que se segue é um fragmento de Ciranda dos Libertinos. Trata-se de um texto em diálogos onde Marquês de Sade narra a admissão de Julieta na Sociedade dos Amigos do Crime. Impregnado de vocabulário pornográfico, Sade descreve uma sociedade sem deus e, portanto, viciosa, corrupta, criminosa, visão não compartilhada por outros materialistas franceses, como Holbach, para quem é possível ser um ateu virtuoso. O texto não é apenas uma afronta, mas uma reflexão sobre os costumes corrompidos presentes em todas as sociedades de todos os tempos.

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PRESIDENTE: Você promete viver eternamente nos maiores excessos da libertinagem?

JULIETA: Eu juro.

PRESIDENTE: Todas as ações luxuriantes, mesmo as mais execráveis, parecem-lhe simples e naturais?

JULIETA: Vejo a todas como indiferentes a meus olhos.

Crime em Sade

Sendo a destruição uma das primeiras leis da natureza, nada que destrói poderia ser um crime. Como uma ação que serve tão bem à natureza poderia alguma vez ultrajá-la? Aliás, essa destruição que deleita o homem é uma quimera. O assassinato não é destruição. Quem o comete só varia as formas. Ele devolve à natureza elementos de que sua hábil mão se serve para imediatamente recompensar outros seres.

Sade, a Natureza e Deus

Só perdendo os sentidos para acreditar nisso. Este abominável fantasma (deus), Eugénie, fruto do terror de uns e da fraqueza de outros, é inútil ao sistema da Terra. Ele o prejudicaria infalivelmente, visto que suas vontades, que deveriam sr justas, jamais poderiam aliar-se às injustiças essenciais às leis da natureza; visto que deveria querer constantemente o bem e a natureza só desejá-lo em compensação do mal que serve às suas leis; visto que deveria agir sempre, e a natureza, cuja ação perpétua é uma de  suas leis , só poderia encontrar-se em concorrência e em oposição perpétua a ele. Mas, dir-se-á a este propósito, Deus e a natureza são a mesma coisa. Não é um absurdo? A coisa criada ser igual ao criador? Pode um relógio ser igual ao relojoeiro? A natureza não é nada, prossegue-se, é Deus que é tudo. Outra bobagem! Há necessariamente duas coisas no universo: o agente criador e o indivíduo criado. Ora, qual é este agente criador? Eis a única dificuldade que é preciso resolver, a única pergunta que é preciso responder.

Dante's Cove e o Problema do Mal


Por Breno Bastos

O mal é uma das questões centrais da filosofia desde seus primórdios, com os gregos. A série de horror Dante's Cove reflete de modo incomum sobre tal problemática. No fim da segunda temporada, Diana permite que Van, por meio da cerimônia do solstício da libra, retorne ao passado e salve sua namorada Michelle do suicídio. Ao fazer isso, o que dá início à terceira temporada, Diana permite a presença real e concreta da mítica Casa das Sombras. Possuindo Michelle e depois Diana, a Casa das Sombras objetiva a destruição do mundo, começando pela própria ilha de Dante's Cove. Utilizando-se da flor estelar, Grace percebe a presença do ente maligno e, com a ajuda de Ambrosius e Griffin, o aprisiona em seu receptáculo.

No decorrer dos cinco episódios da temporada, o terror e o medo se espalham. Inicialmente os pais de Michelle são assassinados, seguidos por Van e Marcos; mais três funcionários do H2Eau e um frequentador do club, atacado na escada; e, por último, a tentativa de homicídio de Elena, além de vários corpos encontrados por Kevin num incêndio. O caos está disperso.